Deu na BBC: o que Putin e Xi discutiram na visita do russo uma semana após viagem de Trump à China.
Analistas dizem que o dinheiro e a tecnologia chineses têm sido fundamentais para a sobrevivência de Putin no poder
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira, 20, em visita oficial à China, que os laços entre os dois países atingiram um "nível sem precedentes".
Durante
a visita a Pequim, Putin e o presidente da China, Xi Jinping,
assinaram mais de 20 acordos comerciais e tecnológicos, além de uma
declaração sobre uma "ordem mundial multipolar".
Putin
busca fortalecer o relacionamento com a China, a maior compradora
mundial de petróleo russo. Uma das prioridades da agenda é um novo
gasoduto, que poderá transportar até 50 bilhões de metros cúbicos
de gás natural para a China.
A
visita de Putin acontece uma semana após a viagem do presidente dos
EUA, Donald Trump, à China. Analistas dizem que o dinheiro e a
tecnologia chineses têm sido fundamentais para a sobrevivência de
Putin no poder.
Gasoduto
Rússia-China
A Rússia e a China chegaram a um entendimento sobre o gasoduto Força da Sibéria 2, um grande projeto que, se concluído, transportaria até 50 bilhões de metros cúbicos de gás por ano para a China pela Mongólia, partindo de campos de gás em Yamal, na Rússia.
O
porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, disse a jornalistas que "algumas
nuances ainda precisam ser definidas", mas que "já existe
um entendimento", segundo a agência de notícias estatal RIA
Novosti.
O
acordo inclui o trajeto do gasoduto e o método de construção,
afirmou ele. Nenhum outro detalhe ou cronograma foram divulgados.
O
gasoduto transportaria o equivalente a cerca de 12% do consumo total
de gás da China, com base em estimativas de 2025.
Um
acordo estava paralisado há anos devido a divergências sobre o
preço — mas, no início desta semana, surgiram notícias de que a
gigante russa do gás Gazprom e a Corporação Nacional de Petróleo
da China (CNPC) assinaram um acordo preliminar.
Com
a economia russa sob crescente pressão e sanções ocidentais, o
projeto provavelmente ganhará nova importância para a Rússia,
segundo analistas. A China é o principal parceiro comercial da
Rússia e também seu maior comprador de petróleo e gás.
Em
discurso em Pequim, Xi disse que as relações entre a China e a
Rússia seguem melhorando, e que atingiram "o mais alto nível
de parceria estratégica abrangente".
Xi
também afirmou que ambos os países intensificarão a cooperação
em inteligência artificial e inovação tecnológica.
Segundo
o presidente chinês, a China e a Rússia devem desempenhar
firmemente seus papéis de "grandes potências responsáveis"
para proteger o direito internacional e se opor a "toda
intimidação unilateral e ações que revertam a história".
Putin
disse que a Rússia está preparada para continuar fornecendo energia
à China, e afirmou que o comércio entre os dois países está
protegido de influências externas e tendências negativas nos
mercados globais.
Ele
também disse que a Rússia está disposta a manter fornecimento
ininterrupto de petróleo e gás à China. Após seus discursos,
Putin e Xi não responderam a perguntas de jornalistas.
Em
declarações à televisão estatal russa, o assessor de política
externa de Putin, Yuri Ushakov, disse que Putin e Xi ainda discutirão
assuntos internacionais em um encontro privado para um chá marcado
para esta quarta-feira. A discussão incluiria assuntos como Ucrânia,
Irã e relações com os EUA.
Encontro
entre Putin e Trump
O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, não descartou um encontro entre Putin e Trump na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na China, em novembro, informou a agência de notícias russa Interfax.
Putin
já havia confirmado sua presença na cúpula da Apec. Os EUA
enviarão uma delegação, mas não especificaram se Trump estará
presente.
A China sediará a cúpula da Apec na cidade de Shenzhen, no sul do país. A cúpula anual da Apec costuma contar com a presença dos líderes da Rússia, da China e, às vezes, dos EUA.
Com
informações: BBC News Brasil
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