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Daniel Santos e a truculência que é péssimo sinal

Ao chamar policiais de “vagabundos”, político avançou linha perigosa, ganhou antipatia em categoria essencial dona de votos e influência que podem ser decisivos em outubro

“O poder tende a corromper e o poder

absoluto corrompe absolutamente.”
Lord Acton




A campanha política travada no Pará nessas eleições de 2026 amanheceu no último feriado de 7 de Setembro com a revelação, por meio de vídeos virais, da reação do candidato neo oposicionista, o “Dr. Daniel”, à ação policial que efetuara batida após denúncia de abastecimento ilegal de combustível em veículos que teriam sido autorizados pela coordenação da campanha do ex-prefeito de Ananindeua.


Para além dos fatos que devem ser esclarecidos dentro do arcabouço jurídico e o devido processo legal, chamou a atenção dos observadores da cena política local, a truculência, que já não é novidade, da maneira como o “doutor” chegou, colérico, à delegacia de Polícia da jurisdição onde ocorrera a “batida policial”.

Entre gritos e palavras de ordem, o candidato disse que queria - queria não -, exigia saber quem eram “os vagabundos” que perpetuaram a ação contra os seus correligionários.

Estrago
Atualmente, o contingente da briosa e bicentenária PM paraense é de quase 18 mil integrantes, que se somam aos quase 3500 policiais civis em atividade no estado. Mais de 20 mil homens e mulheres que, se somados aos familiares, podem facilmente atingir o dobro ou o triplo de pessoas. E eleitores (as).

Pensando em perdas e nenhum ganho, o estrago foi grande, não?

Empatia zero
São por essas e outras (e mais algumas) que Daniel Santos volta e meia diz que a imprensa apoia a candidatura situacionista. Ora, colocando a retórica rasteira no seu devido lugar, – alto lá, doutor!

Quem é useiro e vezeiro em atrair a antipatia alheia fora da bolha bolsonarista dos seus vitais aliados de ocasião, os limites de Ananindeua e o rebanho cristão do senador Zequinha Marinho, é o senhor, excelência.

Não se trata, afinal, de simpatizar com A ou B. Na verdade, estupefaciente, após saber do que o senhor fez em invernos e verões passados e recentes, é ir com a sua cara de Hezbollah e olhar quase sempre entre o atravessado e o carrancudo.

Desta feita e novamente, o senhor, que adora se apresentar em tom acima do normal como “doutor”, se comportara como um reles tigrão no meio dos seus.

O mesmo que lembra bastante um pequeno “miau”, um gatinho desmamado, sempre que é confrontado por acusações pra lá de desabonadoras, tipo vaquinhas, pagamentos de bens por fornecedores e aquisições de fazendas, jatos e hospitais a rodo, e faz aquela cara de coitadinho, injustiçado.

Daniel, o Truculento
Muita coisa estranha ainda se diz a seu respeito em off. Mas, as cenas que nos fez assistir dá uma (péssima) pista do que pode estar vindo por aí, caso saia vencedor das urnas.

Como alertara o sábio Lord Acton, do que será capaz um homem com esse perfil autoritário e truculento – que chamou de “vagabundo” um oficial da PM e/ou um delegado de polícia no salão de uma seccional –, de posse de uma caneta de governador? Capaz de tudo?

De usar órgãos coercitivos para intimidar adversários e críticos? Imagina o que não pode tentar fazer para calar profissionais da imprensa que façam o seu trabalho de informar, analisar e fiscalizar.

Não é Fantástico
Ainda mais com tanta fartura de material probatório, que até programa Fantástico já rendeu. Novamente com relação à agressão contra os policiais, está aí (mais) um erro político grave que cometeu.

A polícia é uma instituição unida para além dos seus muros. Procure litígios entre grupos e no próprio sindicato deles, e verás uma corporação, invariavelmente, unida.

Imagine-se a saia justa do delegado Éder Mauro tentando acalmar a sua tropa, digo, os seus colegas e correligionários, centenas deles que já não morrem de amor pelo “doutor”, que estão engolindo goela abaixo o apoio de Mauro e família em nome dessa unidade…

Chamar de vagabundo, ofender um policial é atacar a todos.

Daí eles não hesitarem em eliminar bandidos quando ameaçados ou nas ocorrências, nos confrontos com a bandidagem em que acontecem as perdas dos pais de família.

Todavia, tão grave quanto, insisto, é a reincidência desse comportamento arrogante e truculento deste senhor. Convenhamos que pouco se sabe ou conhece sobre a personalidade de Daniel Santos.

E o pior, pelo pouco que se conhece dele, é perceber outro traço revelador do seu caráter e dos recalques que traz consigo. Na sequência do B.O. de domingo passado, o candidato apareceu em vídeos agredindo aquele a quem acompanhara e se dizia parceiro (e amigo), o governador Helder Barbalho, a quem culpava - vejam só - pela batida policial.

Daniel também o acusava de nunca ter trabalhado, sendo este traço da sua personalidade, por se sentir hipoteticamente contrariado, a raiz da operação contra a doação de combustível considerada ilegal pela lei eleitoral. Ora, faça-me o favor…

Sinais exteriores
Repare bem o gentil leitor e a prezada leitora: o doutor quer criar um “conflito de classes” e colar no agora antípoda o rótulo de filhinho de papai.

Não precisa ser um psicanalista com doutorado na Alemanha para perceber como a inveja o torna, Daniel, obsessivo em relação a Helder.

E muitas são as suas contradições, posto que possui mansões, coleções milionárias de relógios de luxo, carrões, fazendas, aviões a jato, bimotores, rebanho de milhares de cabeças de gado, tudo adquirido de 2013, e particularmente de 2019 para cá, quando tornara-se ordenador de despesas.

Daniel, sem, provavelmente, nunca ter lido, se vale de tática leninista em “acusar o adversário de fazer aquilo que ele faz”. Ele – repare o nariz empinado e o dedo em riste do interlocutor no vídeo ressaltando como deveria ser chamado: – “Doutor Daniel” – mesmo se portando como um rude e braçal analfabeto, um filisteu qual o gigante Golias.

Acton e Lincoln
Ele não me engana; e podem botar fé: dá poder a esse um – mais do que já teve – e verás outro aforismo transformado em realidade, este outro atribuído a um sábio ainda mais sábio que Lord Acton; um santo, estadista, erudito e honesto homem público: Abraham Lincoln.

“Se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”.

Daniel Santos, que ousa chamar de “vagabundo” um policial é, decerto, um sujeito de coragem. Veremos até onde ela vai. 
Sobre a inveja que nutre sobre aquele a quem enganou ou se aproveitou da palavra empenhada por quase meia década, a melhor resposta que lhe pode ser dada é em outubro.


Agora com, no mínimo, meia PM e outro tanto de policiais civis se sentindo ofendidos, eles que foram atacados gratuitamente, ficou ainda mais fácil dele perder.

Só te digo, bem feito.



PS1: Alguém viu o candidato pedir escusas pela (grave) ofensa até agora?
PS2: Se não, está aí mais uma prova da sua arrogância e egotrip eternas.


 


 







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Toni Remigio
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