Cultura: Agente de progresso nada secreto!
“Toda vez que a cultura brasileira conquista o mundo, aparece alguém com a sobrancelha arqueada e a calculadora na mão perguntando: — “Tá… mas o que eu ganho com isso?”
Aí vem O Agente Secreto, Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e outros gênios nacionais ganhando prêmios, aplausos e respeito internacional — e o brasileiro anônimo, aquele que pega ônibus lotado, enfrenta fila, paga boleto e ainda mantém um bom humor delicioso, sente um orgulho arretado, vaidoso, profundo. Um orgulho que não cabe em planilha de Excel.
Porque essas vitórias dizem ao mundo que o Brasil não é só bunda bonita, perna grossa, samba no pé e bola no pé — embora nada disso seja pecado, diga-se de passagem. Dizem que aqui também tem cérebro afiado, sofisticação estética, pensamento crítico, ousadia narrativa. Que a gente consome o melhor que o mundo produz, mas tempera com swing, pirraça, poesia e aquela magia que só quem cresce ouvindo história na calçada entende.
Cada prêmio desses acende um holofote sobre o Brasil real. Aumenta o interesse pela nossa vida, pela nossa complexidade, pela nossa indústria cultural — que não é brincadeira, é trabalho pesado, coletivo, técnico e criativo. Gera emprego, renda, circulação de dinheiro, oportunidade pra quem escreve, filma, atua, edita, ilumina, produz, divulga.
E, se o coração não convencer, vamos aos números: já em 2020, resistindo ao obscurantismo instalado em 2018, a economia da cultura e das indústrias criativas respondeu por 3,11% do PIB brasileiro, algo em torno de R$ 230 bilhões. Mais do que o setor automotivo, que ficou em 2,1%. Em regiões como o Rio Grande do Sul, a indústria criativa emprega mais gente do que a automobilística. Cultura não é frescura. É motor econômico. E esse setor continua crescendo com a fortalecimento das indispensáveis leis de incentivo à cultura.
Por isso, quando alguém perguntar “o que eu ganho com isso?”, a resposta é simples: ganha respeito, ganha trabalho, ganha desenvolvimento, oportunidade de vender : da pipoca ao roteiro. Ganha autoestima coletiva.
No fim das contas, a cultura, esse agente é tudo — menos secreto. É um agente de desenvolvimento cultural, simbólico e econômico. E disso, o brasileiro anônimo entende. E se orgulha! Viva o povo brasileiro!”

Por Glauco Lima
Imagens: Reprodução/Redes Sociais e divulgação/Victor Jucá
