Crise climática: Estudo mostra aumento de 3ºC na temperatura da Amazônia pelo desmatamento.
Que a temperatura está aumentando, e a crise climática já é uma realidade, parte da população amazônica sente na pele. Mas um estudo divulgado pela Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo) confirmou as temperaturas elevadas na região.
O estudo mostra que o desmatamento é um dos maiores responsáveis pela elevação da temperatura, pois a perda da vegetação resulta na diminuição da evapotranspiração, além da redução da precipitação na estação seca e do número de dias de chuva.
Em estações de seca na Amazônia, a pesquisa mostra um aumento de 3º C médio na temperatura da superfície de áreas altamente desmatadas. O desmatamento impacta ainda nas chuvas: observou-se 11 dias a menos de chuvas nessas áreas.
Como resultado dessa condição climática mais seca e quente, a floresta pode enfrentar maior degradação, levando ao aumento da mortalidade das árvores e à suscetibilidade a incêndios florestais.
Segundo cientistas ouvidos pelo jornal Folha de S. Paulo, o estudo evidencia a urgência de controlar o desmatamento e restaurar áreas degradadas, visando preservar a resiliência climática da amazônia e das atividades econômicas que dependem diretamente do clima, como a agricultura.
A pesquisa foi realizada com base em dados de satélite e publicada na revista Communications Earth & Environment no final de novembro.
Dados do desmatamento
Um estudo chamado "Amazônia, Coleção 10" do MapBiomas, feita a partir da análise de imagens de satélite, mostrou que a Amazônia brasileira perdeu 13% de área de vegetação nativa entre 1985 e 2024.
Neste período, as pastagens passaram de 123 mil km² para 561 mil km², enquanto a área de agricultura foi de 1,8 mil km² para 79 mil km². Mais recentemente, a mineração vem ganhando relevância e chegou a 4.440 km² em 2024.
Créditos da imagem: Greenpeace.
