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Contra o Pará? MPF tenta bar­rar acordo para venda de cré­dito de car­bono enquanto especialistas, comunidades indígenas e quilombolas apoiam estado, diz O Globo.

Parquet Ministerial aponta ile­ga­li­da­des. Pro­cesso passa pela aná­lise de uma cer­ti­fi­ca­dora inter­na­ci­o­nal.

O que é crédito de carbono?

Um crédito de carbono é um certificado digital que equivale à redução de 1 t (uma tonelada) de dióxido de carbono (CO₂) ou outro gás do efeito estufa que deixou de ser emitido ou foi removido da atmosfera. Ele funciona como uma “moeda” em um mercado criado para incentivar a sustentabilidade e combater o aquecimento


Leia abaixo trechos de reportagem publicada na edição imprensa deste domingo, 07, em O Globo.


1  bilhão
O Mi­nis­té­ri­o­ Pú­bli­co­ Fe­de­ral (MPF) tenta bar­rar um acordo inter­na­ci­o­nal para venda de cré­di­tos de car­bono, anun­ci­ado em 2024 pelo então gover­na­dor do Pará, Hel­der Bar­ba­lho (MDB), gera­dos a par­tir da redu­ção de des­ma­ta­mento, em recur­sos que podem repre­sen­tar cerca de R$1 bilhão”.

O pro­cesso passa pela aná­lise de uma cer­ti­fi­ca­dora inter­na­ci­o­nal, mas o MPF entrou na Jus­tiça apon­tando ile­ga­li­dade por supos­tas ‘ven­das futu­ras ­de ­cré­di­tos’ e vi­o­la­ções na con­sulta livre a comu­ni­da­des indí­ge­nas e qui­lom­bo­las”, disse o periódico carioca.


Programa
O pro­grama que está sendo desen­vol­vido pelo governo para­ense é o Sis­tema Juris­di­ci­o­nal de REDD+ (SJREDD+). REDD+ sig­ni­fica Redu­ção de Emis­sões por Des­ma­ta­mento e Degra­da­ção Flo­res­tal.

Dife­rente de pro­je­tos pri­va­dos de car­bono, os sis­te­mas juris­di­ci­o­nais ­são­ li­ga­do­s a ­po­lí­ti­cas­ pú­bli­cas de Estado.

Assim, o Pará pre­tende gerar cré­di­tos a par­tir da redu­ção de des­ma­ta­mento na com­pa­ra­ção com as taxas do perí­odo entre 2018 e 2022, quando houve recorde de degra­da­ção na Ama­zô­nia, e vendê-los ­pa­ra ­a ­Co­a­li­zão ­Leaf, inte­grada por paí­ses como os Esta­dos Uni­dos, Reino Unido, Noru­ega, Coreia do Sul e mul­ti­na­ci­o­nais como Ama­zon, Bayer, H&M e Wal­mart”, explica a matéria assinada por Lucas Altino.


Liminar negada
“No ano pas­sado, o MPF pediu a anu­la­ção do acordo, ale­gando que o con­trato con­fi­gura venda ante­ci­pada dos cré­di­tos, o que é proi­bido pela lei que pas­sou a regu­la­men­tar o mer­ca­do­ de­ car­bo­no­ no­ país— o Sis­tema Bra­si­leiro de Comér­cio de Emis­sões de Gases de Efeito Estufa (SBCE)”, escreveu o autor.

A Ação Civil Pública alega que não teria acon­te­cido a con­sulta livre e pré­via junto às comu­ni­da­des tra­di­ci­o­nais. O texto segue informando que a Jus­tiça negou o pedido limi­nar do MPF, que recor­reu.

“No dia 2 de abril, os pro­cu­ra­do­res expe­di­ram um ofí­cio à Secre­ta­ria da Arqui­te­tura para Tran­sa­ções REDD+ (ART), cer­ti­fi­ca­dora inter­na­ci­o­nal refe­rên­cia na vali­da­ção de cré­di­tos de car­bono de sis­te­mas juris­di­ci­o­nais pelo mundo e que está ana­li­sando a docu­men­ta­ção do Pará.

Nele, o MPF argu­men­tou que a cer­ti­fi­ca­ção ou qual­quer auto­ri­za­ção de venda só pode­ria acon­te­cer após a con­clu­são da ação judi­cial.


“Pro­cu­rada, a ART infor­mou que a aná­lise está em fase de con­sulta pública, então qual­quer comen­tá­rio, como o comu­ni­cado do MPF será con­si­de­rado, mas o pro­cesso não foi inter­rom­pido”, esclarece.

Em feve­reiro, a empresa estran­geira deu o pri­meiro aceite sobre os docu­men­tos para­en­ses, indi­cando que o programa é e­le­gí­vel à valida­ção. A AR T não rea­li­za­ ope­ra­ções de venda, ape­nas cer­ti­fica a qua­li­dade dos cré­di­tos de car­bono.


O periódico também pro­cu­rou o MPF, que respondeu dizendo que os pro­cu­ra­do­res não estão dando entre­vis­tas sobre o assunto.


Defesa da negociação
Espe­ci­a­lis­tas defen­dem o pro­grama”, diz o autor. Ana Luci Grizzi, exe­cu­tiva de sus­ten­ta­bi­li­dade e com espe­ci­a­li­dade em gover­nança cli­má­tica e de capi­tal natu­ral, da con­sul­to­ria ALG, diz que o acordo é um con­trato pre­li­mi­nar, que esta­be­lece con­di­ções míni­mas de nego­ci­a­ção e, por­tanto, não se enqua­dra­ria como um con­trato de venda futura.


Equívoco
“O MPF fazer isso manda uma men­sa­gem errada ao mer­cado. Se quer asse­gu­rar que o pro­grama vai tra­zer bene­fí­cios, deve­ria tra­ba­lhar de forma con­junta e cola­bo­ra­tiva com o governo do Pará”, disse ao periódico.

Consulta

A con­sulta do governo do Pará está sendo feita junto aos indí­ge­nas, repre­sen­ta­dos pela Fede­ra­ção dos Povos Indí­ge­nas do Pará (Fepipa); aos povos tra­di­ci­o­nais, de serin­guei­ros, pes­ca­do­res e ribei­ri­nhos, repre­sen­ta­dos pelo Con­se­lho Naci­o­nal das Popu­la­ções Extra­ti­vis­tas (CNS); e aos qui­lom­bo­las, atra­vés da Malungu, que reúne as asso­ci­a­ções qui­lom­bo­las do estado.


Erica Mon­teiro, coor­de­na­dora da Malungu, afirma que a con­sulta está de fato acon­te­cendo, inclu­sive com aceite da mai­o­ria ao pro­grama, mas que ainda há “muito a ser deci­dido”.

Ela diz que a pro­posta ini­cial do governo, den­tro da repar­ti­ção de bene­fí­cios — medida obri­ga­tó­ria no sis­tema —era repas­sar ape­nas 1% dos recur­sos para os ter­ri­tó­rios qui­lom­bo­las. Após pro­tes­tos, con­se­gui­ram ele­vara por­cen­ta­gem a 16%.


Indígenas
Asso­ci­a­ções indí­ge­nas e de comu­ni­da­des tra­di­ci­o­nais seguem o mesmo cami­nho e que­rem aumen­tar suas fatias, hoje esta­be­le­cida sem 21% e 18%, res­pec­ti­va­mente.


Redução
Em 2023, o Pará regis­trou redu­ção de 21% do des­ma­ta­mento, ou de 890 km². A ela­bo­ra­ção dos docu­men­tos que com­pro­vam aqueda de des­ma­ta­mento e que foram enviados à ART teve con­tri­bui­ção de diver­sas enti­da­des como o Ins­ti­tuto de Pes­quisa Ambi­en­tal da Ama­zô­nia (Ipam).


Floresta em pé
Dire­tora de Polí­ti­cas Públi­cas do ins­ti­tuto, Gabriela Savian diz que os recur­sos pro­ve­ni­en­tes dos cré­di­tos de car­bono vão gerar valor para a flo­resta em pé e, assim, for­ta­le­cer a po­lí­tica ambi­en­tal e medi­das de con­ser­va­ção.


Os pri­mei­ros docu­men­tos, em aná­lise, são para vali­da­ção dos cré­di­tos refe­ren­tes a 2023. A par­tir de 2028, a cer­ti­fi­ca­ção terá como base com­pa­ra­tiva o perí­odo entre 2023 e 2027, aumen­tando a exi­gên­cia.



Outros estados
Além do Pará, Tocan­tins e Acre já estão em fase avan­çada de vali­da­ção pela ART. Mato Grosso tam­bém deu entrada nos docu­men­tos, mos­trando o ali­nha­mento dos gover­nos da Ama­zô­nia a esse mer­cado.

50 milhões de cré­di­tos
O Tocan­tins, inclu­sive, já tem nego­ci­a­ções coma Mer­cu­ria Energy Tra­ding, empresa suíça de óleo e gás, para ven­der cerca de 50 milhões de cré­di­tos até 2030.




Com informações: O Globo
Crédito ilustração:reprodução Amcham-Brasil









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Toni Remigio
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