Ciro voltou. Que bom para a democracia brasileira.
Caso saia vencedor em outubro, aquele prodígio surgido na vida pública cearense nos anos 1980 terá a chance de se cacifar, na quadra madura da vida, ao cargo com o qual sonha desde sempre: o de presidente do Brasil.
No período do Brasil Império (1822-1888), dois brasileiros se destacaram como os estadistas mais importantes da época: José Bonifácio e Joaquim Nabuco. Dito isso, um registro e nada mais neste momento sobre ambos, que merecem todas as homenagens e reverências:
Tanto o patriarca da Independência, que tem estátua em sua homenagem em Manhattan, Nova York, quanto o principal artífice da Abolição da Escravatura, assinada pela sua amiga e líder, princesa Isabel, no apagar das luzes do regime, pela própria natureza de uma monarquia constitucional, jamais poderiam se tornar chefes de estado.
Já na República Velha, unânime em sua integridade e honorabilidade pessoais, bem como por seu brilho intelectual e dons de tribuno, o jurista e político baiano Rui Barbosa tentara chegar à presidência da República em duas oportunidades, 1910 e 1919, sem jamais conseguir alcançar o sonho de muitos em ambas.
Do
advento da Ditadura Vergas (1930-1945) ao retorno ao poder pela via
eleitoral e suicídio do velho caudilho (1950-1954), surgiram
políticos que de tudo fizeram para chegar lá.
Entre
eles, notáveis homens públicos como Carlos Lacerda, Leonel Brizola,
Mário Covas e, em seguida, José Serra, Tasso Jereissati e Ciro
Gomes.
Em comum, todos eram reconhecidos até por adversários como extremamente inteligentes, cultos, devotados à causa pública e animais políticos.
Com
as exceções de Juscelino Kubitschek (JK) e Fernando Henrique
Cardoso (FHC), as duas siglas mais bem-sucedidas da
democracia pátria, e um parêntese para Tancredo Neves, empiricamente
falando, diante do resumo acima descrito, é quase um axioma na seara
política que os mais bem preparados, os “estadistas de geração”,
não conseguem atingir ao cargo máximo nacional.
Afinal,
seria uma maldição? De todos esses, só estão vivos e aptos, em
tese, José Serra, Tasso Jereissati e Ciro Gomes.
Dos
três próceres tucanos, Serra e Ciro esgrimiram entre si uma das
mais deletérias escaramuças da política partidária local - por se
tratarem de dois tucanos da mais alta plumagem - para, ao cabo e ao
fim, serem ambos marcados e prejudicados em suas aspirações de
chegarem à presidência por vias democráticas.
E a razão
do “fracasso”, para muitos, foi o fato de possuírem gênios
fortes e darem declarações desastrosas, cada um a sua
maneira.
Traços que levaram a cabo os sonhos das duas
trajetórias dedicadas a estudar os problemas nacionais e apresentar
soluções para cada um deles.
Ciro,
em suas idas e vindas, oportunidades perdidas (2002), traição
familiar (Cid Gomes), local (Camilo Santana) e boicote nacional (Lula
em 2010 e 2018), pagou o preço também pelo voluntarismo de confiar
no velho pelego, que nem em seu partido admitiu sombra à sua
persona.
Indo buscar a sucessora - o poste - chamado Dilma
Rousseff, no brizolismo, com consequências desastrosas na política,
desenvolvimento socioeconômico e democracia nacionais.
Quanto
a Lula, o petista rifou Ciro em 2010 e quando insistiu no quase
neófito Fernando Haddad (2018), naquela eleição em que o cearense
era o único capaz de derrotar Jair Bolsonaro, segundo as pesquisas
da época.
Deu no que deu.
Humilhação
e depressão
Pois foi a dor da humilhante derrota de 2022,
somada a mágoa com o irmão senador e o aliado petista, que o fez
deixar a autodeclarada aposentadoria de lado para retornar e tentar
ser governador pela segunda vez, chance que refutara em 2002, 2006 e
todas as eleições seguintes.
Amigo
de fé
E se tem um aliado de quase sempre que fora
fundamental para o retorno em âmbito regional que pode ser triunfal,
este um atende pelo nome de Tasso Ribeiro Jereissati, o mesmo que o
chancelou em 1988 para a prefeitura de Fortaleza e o governo estadual
dois anos depois.
Naquela altura, além de ser o
governador mais jovem do país, eleito aos 32 anos, também fora no
curso do mandato o mais bem avaliado, sempre na casa dos 70, 80% de
aprovação.
Nota
Este
um que vos fala já foi cirista, anti-Ciro e agora, sendo um cidadão
de centro-direita, apoia e torce com fervor pelo retorno deste grande
brasileiro, que se classifica de centro-esquerda, torcendo que,
diferente do desafeto Serra e do grande Tasso, ambos em idade
avançada e limitações de saúde, talvez seja o único brasileiro
capaz de romper esta deletéria “maldição” e chegar ao Planalto
subindo a rampa e recebendo a faixa, naquela que pode ser uma
presidência consagradora e boa para a economia e democracia
nacionais.
É ver e torcer para crer.
Abaixo, seguem fragmentos de um lançamento de candidatura. Com vocês, o Cirão das massas ou Ciro Gomes por ele mesmo:
Ceará
"Hoje o povo do Ceará vive falando baixo, vive
capiongo [triste] olhando para o lado, com medo, aterrorizado”;
Omissão
“Existe
uma omissão quase absoluta das autoridades do Estado no
enfrentamento ao crime. O Ceará está passando muito mal. Já se
disse que o fraco líder faz fraca a forte gente. É exatamente do
que se trata";
Alianças
“Vamos
lá para ver quem tem moral nesse lugar aqui para falar com coerência
quem serve ao Ceará e quem não serve. Venham discutir. Frouxos”;
Candidato
“Eu
virei candidato, mas não era meu plano nem de longe. Eu já estou na
idade de me aquietar, especialmente depois do que eu passei de
humilhação em 2022. Tirei o terceiro lugar em Sobral, na minha
cidade. Isso dói. Já passou a dor toda”;
STF.
“(…) colocar um freio no lado apodrecido”
da Corte”;
“Não é mais possível o Brasil ficar
calado, amedrontado, diante de tanto abuso que está acontecendo
lá”;
"Não é possível uma República sobreviver
com o nível de abuso que uma fração minoritária ainda do Supremo
pratica, não é possível isso";
Segurança Pública
"As
facções tomaram conta do Estado. O Ceará subiu para um dos
primeiros estados do Brasil no cometimento de crimes. Sabe quantos
delegados de polícia foram contratados nos últimos dez anos por
esses frouxos que governam o Ceará? Nenhum";
Alianças
"Qual
a lógica? Eu peguei os dois últimos candidatos a governador do
Ceará que não tiveram êxito, porque o rolo compressor, a compra de
votos e a manipulação impertinente da justiça passaram por cima, e
pedi a eles para se juntarem, não para eu ser o candidato, para
fazer o movimento? E eu virei candidato, mas não era o meu plano nem
de longe";
André
Fernandes e seu pai, Pastor Alcides (PL)
"(...)
Mas nós entendemos que a emergência do colapso do estado do Ceará
em matéria de segurança pública, em matéria de corrupção, em
matéria de desmonte da saúde pública, em matéria de colapso do
desenvolvimento, permitem sem nenhuma dificuldade uma aliança";
Crédito imagem: Instagram Ciro Gomes
