Casos de intoxicação por agrotóxicos crescem 545 por cento no Pará
Uma reportagem publicada pelo UOL, conduzida por Isabelle Maciel e Diogo Junqueira, mostrou um problema grave que afeta áreas de plantio de soja e milho no Pará: a intoxicação por agrotóxicos.
O Painel de Vigilância em Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA) mostrou que os casos de contaminação por agrotóxicos aumentaram em 545% nos últimos cinco anos.
Os municípios de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos, no Pará, correspondem a 10% das intoxicações no estado. As três localidades possuem histórico de avanço da soja e do milho no setor agrícola.
Na última década, a área plantada de soja e milho mais que triplicou nos três municípios: subiu de 66 mil hectares em 2014 para 217 mil hectares em 2023, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No Pará, foi observado um crescimento nas intoxicações, mas em um ritmo menor: 150% em cinco anos, passando de 669 notificações (2016-2020) para 1.671 (2021-2025), segundo UOL.
O levantamento foi feito pela Repórter Brasil em parceria com o Tapajós de Fato, de Santarém (PA), por meio de edital da Ajor (Associação de Jornalismo Digital) e do InfoAmazonia, com apoio do Instituto Serrapilheira.
O Ministério Público Federal entrou na Justiça para cobrar fiscalização da aplicação correta de agrotóxicos, que principalmente respeitem as distâncias mínimas de segurança.
Segundo a pesquisa, das 231 intoxicações no Planalto Santareno nos últimos dez anos, 181 casos (78%) estão relacionados a agrotóxicos usados em lavouras.
Indígenas da região relatam diversos efeitos das pulverizações, como dor de cabeça, coceira, alergia e ânsia de vômito.
A Procuradoria acionou a Justiça neste ano contra a União, o governo do Pará e a prefeitura de Santarém, apontando os órgãos públicos como "omissos".
Na reportagem do UOL, a Adepará (Agência de Defesa Agropecuária do Pará) e as secretarias de meio ambiente e de saúde do Pará disseram que não foram notificadas sobre a ação. Já a Prefeitura de Santarém não retornou.
Créditos da imagem: Agência Brasil.
