Após pedido de Flávio Bolsonaro, Marco Rubio designa CV e PCC como organizações terroristas
Medida terá validade a partir de 5 de junho. Marco Rubio ressaltou no comunicado que o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil
O
governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou nesta quinta-feira, 28, em
comunicado do Departamento de Estado, que vai designar as
facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro
Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras
(FTO, na sigla em inglês).
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Segundo
o comunicado, a decisão terá validade a partir do dia 5 de junho e
as medidas são adotadas com base na seção 219 da Lei de Imigração
e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act) e em uma ordem
executiva do presidente Donald Trump. As designações como FTO
entram em vigor após publicação no Federal Register.
O
secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ressaltou no comunicado
que o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais
violentas do Brasil.
"Juntas,
elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais
contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua
influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das
fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e também o
nosso país", disse Rubio.
O
governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa
designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação
militar dos EUA no Brasil ou aplicação de sanções severas em
setores econômicos e financeiros.
Risco
Na
avaliação de especialistas, esta designação representa um
potencial risco à soberania brasileira e pode prejudicar até mesmo
esforços de cooperação investigativa entre os países, já que
alteraria o nível de sigilo das informações compartilhadas entre
os órgãos de segurança dos dois países, centralizando-as na Central de Inteligência dos EUA (CIA) ou em órgãos militares.
Esta mudança poderia, segundo esses especialistas, atrapalhar investigações conjuntas em curso e inviabilizar futuras cooperações.
"Narcoterrorismo"
Neste novo mandato, o governo de Donald Trump vem reorientando a política externa de Washington em relação à América Latina, direcionando sua máquina de guerra para a região sob a justificativa de combater o que chama de "narcoterrorismo".
Ao
longo dos últimos meses, forças mlitares dos EUA bombardearam
diretamente diversas embarcações no Caribe, fora da jurisdição
norte-americana, sob alegação de combate ao terrorismo.
A
própria invasão do território veneuelano, no início do ano, que
resultou na deposição e captura do então presidente Nicolás
Maduro e sua esposa, Cilia Glores, também foi justificada com base
no combate ao narcoterrorismo.
O
alcance de ações semelhantes em território brasileiro, com base
nesta nova designação, apesar de incerto, torna-se um risco real.
No
início deste mês, em visita aos EUA, Lula discutiu com Trump a
adoção de frentes de trabalho entre os dois governos para asfixiar
financeiramente as organizações criminosas transnacionais que atuam
no Brasil e nos EUA.
Na
ocasião, segundo Lula, eles não trataram especificamente sobre
facções criminosas que atuam no Brasil, como CV e PCC.
O
anúncio de Rubio, feito após encontro entre ele e o senador Flávio
Bolsonaro, ocorrido nesta quarta-feira, 28, em Washington,
indica, irrefutavelmente, a influência do pré-candidato do PL à
presidência em outubro, na decisão, uma vez que ele declarara à
imprensa brasileira que havia feito o pleito.
Um dia antes, ele
havia se reunido com Trump na Casa Branca, em companhia do irmão, o
autoexilado ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, ambos filhos do
ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com
informações e *imagem: Agência Brasil
*Evan
Vucci -
fotógrafo-chefe da Associated Press (AP)
em
Washington, D.C.
