Alerta ligado, Paysandu
Ismael Machado
A queda de rendimento do Paysandu na Série C do Campeonato Brasileiro tem sido um dos principais motivos de preocupação da torcida bicolor. Depois de um início consistente, com boas atuações e resultados que colocaram o clube entre os primeiros colocados da competição, o Papão passou a enfrentar dificuldades para manter o mesmo nível de desempenho. A equipe perdeu intensidade, apresentou oscilações e viu a confiança diminuir à medida que os resultados deixaram de aparecer.
Um dos fatores que explicam essa queda é a baixa eficiência ofensiva. O Paysandu passou a criar menos oportunidades de gol e, quando consegue chegar ao ataque, tem encontrado dificuldades para converter as chances em gols. Além disso, o setor defensivo, que, a bem da verdade, nunca se destacou pela solidez, passou a cometer mais erros individuais e coletivos que custaram pontos importantes. E vamos lá, não dá realmente para entender o que quer da vida um zagueiro como o Castro, um cara com qualidade, mas que parece estar longe de ser um profissional da bola. Não aprofundo isso porque não ficamos sabendo dos detalhes das ações, já que nossos setoristas evitam mexer em vespeiros.
Mas o fato é que a combinação entre um ataque que se tornou pouco produtivo (a queda de rendimento de Kleiton Pego e de Juninho é visível) e uma defesa vulnerável fez o time desperdiçar vitórias e empatar ou perder partidas que poderiam consolidar sua posição na tabela.
A pressão por resultados também aumentou conforme o Paysandu foi perdendo posições na classificação. Com a expectativa da torcida em torno da luta pelo acesso, cada resultado negativo trouxe cobranças mais intensas sobre jogadores e comissão técnica. E o elenco um tanto desequilibrado vem cobrando seu preço. Não temos jogadores efetivos para substituir Marcinho e Edilson, por exemplo. E não consigo entender, de maneira alguma, Taboca não ser titular nessa equipe.
Apesar do momento delicado, o cenário não é desesperador. Ainda. O elenco possui qualidade suficiente para voltar a competir em bom nível. Para isso, será fundamental corrigir os problemas defensivos, melhorar o aproveitamento das oportunidades criadas e recuperar a confiança do grupo. A reta final da Série C exige equilíbrio emocional, organização tática e eficiência, características que marcaram o bom início de campanha do Paysandu.
A torcida segue acreditando na reação do Papão, mas sabe que a margem para erros diminuiu. Cada partida passa a ter caráter decisivo na busca pela classificação e pelo tão sonhado acesso à Série B. O desafio agora é transformar a pressão em motivação e reencontrar o futebol que fez do Paysandu um dos protagonistas nas primeiras rodadas da competição. A reta final se impõe e o acesso é perfeitamente possível. Mas é bom ficar de antena ligada. Restam quatro jogos e cada um deles se tornou uma final de campeonato. Se não encararmos dessa forma, vai ser complicado.
