A inacreditável leveza de ser e acreditar no Remo
“No calendário íntimo do torcedor azulino, a semana que antecede um jogo decisivo tem o peso e a poesia de um romance sofrido. É aquela dor gostosa-a delícia-como se diz por aí, de esperar o domingo chegar.
E não é qualquer domingo: é dia de Clube do Remo x Goiás, dia em que o Leão Azul entra em campo carregando não só as próprias forças, mas também a fé coletiva de uma torcida que sabe sofrer com elegância e exagero.
Eu, veja bem, estou muito tranquilo. Tranquilíssimo. Zen. Confiante no acesso, sereno como quem meditou ouvindo hinos do Baenão em velocidade 0.5. Mas a cabeça do torcedor… ah, essa não combina com paz. A cabeça do torcedor azulino é uma planilha viva: passa o dia fazendo contas, refazendo contas, torcendo por um tropeço de Criciúma ou Chapecoense, calculando saldo, gols, combinações místicas, fases da lua e até movimento das marés da baía do Guajará.
E no silêncio da madrugada, quando a confiança cochila, o medo da remisse acorda. Sempre ela, a inimiga íntima. A gente tenta se convencer de que está tudo sob controle, mas de repente já está ali prometendo coisas para Nossa Senhora: “Se o Remo subir, eu juro que…”, e a frase termina sempre com algum sacrifício heroico — parar de reclamar do transporte, largar o refrigerante, ou aquele clássico: nunca mais duvidar do time (até o próximo jogo).
Enquanto isso, cada notícia sobre o adversário vira profecia; cada vídeo motivacional vira quase um documento histórico; e cada conversa de bar rende um debate digno do Senado: “E se o Goiás vier fechado?” “E se o Criciúma bobear?” “E se a Chapecoense…?” O torcedor remista vive de “ses”, mas também vive de fé. E essa fé tem camisa azul royal e rugido próprio.
Porque no fundo — e até na superfície — a gente sabe que domingo não será apenas um jogo. Será a chance de ver o Leão de Antônio Baena rugir mais alto, de botar de vez o nome na lista dos grandes que retornam ao lugar que merecem: a Série A do Brasileirão.
E por isso, escrevo esta crônica com a mesma convicção de quem já sente o colosso do bengola pulsando:
o acesso vem. Pode anotar. O Leão vai subir!”
Por: João Vitor Santos
