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A arte unindo pai e filha bicolores

Em mais de 30 anos de carreira, já vi muitos jogadores derramando talento nos gramados paraenses. E como todos que entendem um tantinho de bola sabem, o meio campo é o lugar dos craques. Uma sentença cantada em verso e música por Samuel Rosa, vocalista da banda Skank.

E entre os melhores maestros da meiúca que tive o prazer de assistir, está o paraense Mazinho. Junto com Edgar, Oberdan e Rogerinho, Mazinho formou o quarteto mágico do Paysandu campeão brasileiro da série B, em 91. E também em 91, Mazinho assinou, contra o Remo, um dos gols mais belos da história do clássico, numa vitória de 3x0 contra o rival.

Como dizia o cronista Nelson Rodrigues, meu deus literário, o craque “cultiva a bola como uma orquídea de luxo” Assim era Mazinho, que vivia uma relação de paixão com a redonda. Sorte de quem assistiu seu futebol espetáculo.

Em tempos de aridez de talentos pelas bandas da Curuzu, e completa desesperança no time bicolor, lembrar o talento de Mazinho arde o peito em nostalgia. Como sou romântica de carteirinha, inclusive no futebol, o encontro que tive na semana passada incendiou minha alma de mocinha de novela.

Era um sábado e saí de casa para ouvir pop rock e viver uma das melhores noites dos últimos anos. Uma cantora linda, de voz de sabiá, e carisma inebriante, se apresentava no local e encantava uma plateia digna de RexPa.

De tão empolgada, ao final de uma música bradei o talento da menina com um sonoro assobio. Desses performáticos e peraltas, com 8 dedos na boca, que aprendi nas arquibancadas do Mangueirão. Ao final do assobio, a molequinha, que habita nesta mulher que vos escreve, ainda gritou: “Papão!”

Foi aí que fui surpreendida pela revelação. A cantora que jorrava talento é filha de Mazinho! Ao ouvir minha declaração de amor ao Paysandu, Carol Ferreira, esse encanto da foto que ilustra este texto, se apresentou a mim com o orgulho que o fato merece.

O pai, Mazinho, foi o maior maestro bicolor que vi jogar, símbolo do saudoso futebol-arte. Mas o show tem que continuar e hoje se perpetua no talento da filha, Carol, como cantora. Uma família escolhida pelos deuses da arte, para nosso deleite.

Voe, Carol! Com a velocidade com a qual seu pai desconcertava seus adversários e corria nos gramados, carregando as asas imaginárias do escudo bicolor nas costas.




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Toni Remigio
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