#

Vencer, perder, o velho e o novo no paradoxo da vida, dos esportes e da política

 “Se você pudesse vender sua experiência
pelo preço que ela lhe custou, ficaria rico.”
J.P. Morgan




Após mais um fiasco brasileiro na Copa do Mundo de Futebol, estima-se que entre 1,5 e 2 bilhões de pessoas dos quatro cantos do planeta possam assistir neste domingo, 19, o duelo entre o quase quarentão e fora-de-série Lionel Messi e o menino (genial) Lamine Yamal, de 19, completados na última segunda-feira, 13.

Com efeito, incontinenti as quase três décadas - isso mesmo -, 28 anos, quase 30 que se completarão em 2030, 
o maior hiato sem títulos da seleção pentacampeã mundial em um dos maiores espetáculos da Terra, três gerações de brasileiros nunca viram o escrete nacional levantar este caneco.


2030, data em que a FIFA irá realizar o 24º mundial, desta vez nos 100 anos após a primeira edição, e excepcionalmente quando estão previstos um jogo no Uruguai (primeira sede), outro na Argentina e mais um no Paraguai, e o restante do torneio na Espanha, Portugal e no Marrocos. 


“Velho” e novo

Nesses dias que antecederam a finalíssima e depois das disputas nas semifinais, enredos que definiram Espanha e Argentina como os dois últimos candidatos ao título, o mundo acompanhou a divulgação (novamente) da foto feita em em 2007, entre ambos, Messi e Yamal, em campanha da Unicef e do Barcelona, time do garoto filho de emigrantes, que também apresentou Lionel ao mundo, e onde ele reinou como poucos, decerto na condição de seu número 1, em uma história centenária coberta de feitos espetaculares e glórias eternas.


Como diria o “profeta” Nelson Rodrigues, “Deus está nas coincidências”. E como…

O paradoxo
No Japão, país de tradição e sabedoria milenares, hierarquia, no caso, o respeito aos idosos, aos “velhos”, aos mais experientes ou “mais antigos”, aos membros da 3ª idade, aos de idade avançada, chamem-nos como quiserem, é posto.


Ali, como na Inglaterra, um dos berços da civilização ocidental, os “estadistas seniors” são tratados com o respeito que a experiência e sabedoria exigem.

Não fora à toa, por conseguinte, que a terra de Isaac Newton, William Shakespeare e Winston Churchill, dominou o mundo econômica e militarmente na época do “Império do Sol Nascente”, após o período Napoleônico, se constituindo no país da “Revolução Industrial”.

Sabedoria e investimento em educação e ciência e tecnologia compõem o receituário para o seu protagonismo, desenvolvimento socioeconômico e preeminência diante do continente europeu, dos rivais históricos, das Américas, Ásia, África e Oceania. Do mundo, afinal.

Corta para o Brasil e o Pará

A política
Na luta política nacional e estadual, o tempo vai afunilando e, passada a FIFA World Cup 2026, será chegada a vez das convenções partidárias para, em seguida, a campanha eleitoral propriamente dita e dos turnos de votação.

Quanto ao Poder Executivo, no âmbito nacional, os pré-candidatos Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), em se tratando de política, representam a novidade e renovação; folhas quase em branco (exceção feita ao ex-governador mineiro).

Renan, um jovem aguerrido, fenômeno ao lado do aliado Kim Kataguiri nas redes sociais, ambos com histórico admirável de luta e militância política no campo das liberdades, do liberalismo econômico, caso não seja abatido por fatos denegatórios que venha a realizar ou que se desnudem, terá um futuro promissor pela frente. Avante!

Flávio Bolsonaro, por sua vez, parece cada vez mais “velho” por fora em matéria de zonas cinzentas sobre o que fizera ou não em verões, invernos e outras estações pretéritas.

Desde as revelações das “rachadinhas”, em 2018, que contaminaram o governo paterno dali em diante, passando por milhões pagos em mansão em condições pra lá de controversas e, ultimamente, em face das suas perigosas relações com o bandido do colarinho branco Daniel Vorcaro, além das intrigas familiares, se constitui em muito mais do que uma incógnita quando o assunto é sua candidatura presidencial, se descortinando como o candidato perfeito para perder novamente para o octogenário, raivoso, rancoroso, vingativo e perdulário Lula da Silva. 


Romeu Zema caminha para se constituir no bom candidato, aquele dotado de ideias capazes de tirar o Brasil do buraco fiscal em que se encontra, padecendo, todavia, de falta de estrutura e musculatura para tornar-se um contendor de alcance e chances nacionais.

Uma composição até as datas convencionais poderia dar o gás que uma candidatura de centro-direita liderada, por exemplo, pelo goiano Ronaldo Caiado (PSD), necessita para deslanchar.

E aí é que entra, na política, o paradoxo do “velho” e do “novo”. Tome-se como exemplo o governo de Caiado em Goiás e o que a sua liderança representou no combate à criminalidade e crescimento socioeconômico daquela unidade federativa.


Caiado, que saiu do palácio como um dos mais bem avaliados governadores do bloco eleito e reeleito em 2018/2022, já passou dos 70, mas fez uma gestão moderna, antenada e respaldada pela juventude goiana, deixando em seu lugar o jovem Daniel Vilela (MDB) na cadeira e com grandes chances de ser reeleito em outubro.

Helder
Tido e havido como pré-candidato a vice de Lula, de quem é aliado desde, pelo menos, 2005, há duas décadas, portanto, o ex-governador não alimentou em nenhum momento as especulações de que cogitaria o desejo.

Nesses últimos quatro anos, jamais fora acusado pelo PSB, partido do vice Geraldo Alckmin, de que conspirava pela vaga. Quem volta e meia deixava no ar a possibilidade eram petistas e aqueles seres sem escrúpulos que vagam e circulam (quando não habitam) os palácios e circuitos do poder. Ponto pra ele.

Hana 

Eis que o mesmo Helder, em janeiro, fevereiro de 2022 surpreendeu meio mundo político local que apostava na escolha do presidente da Alepa para compor sua chapa à reeleição, quando optou pela técnica e auxiliar que jamais havia disputado uma eleição, a atual governadora Hana Ghassan.

E a escolha poderá ter se demonstrado acertada quando forem abertas as urnas em outubro.

Uma vez reeleita, Hana Ghassan terá quatro anos para deixar sua marca, liderar o estado mantendo as realizações do período do seu líder e antecessor, o que poderá cacifá-la a um futuro político promissor caso passe a ambicioná-lo, na medida em que também é jovem para a política e a seara local demanda - e muito - novidades e renovação.

Senado
Helder Barbalho tem tudo para chegar ao Senado Federal com uma votação exuberante. Fez um governo bem avaliado, deixou legado e, ainda que não tivesse trazido a COP, sua reeleição com 70% dos votos em 1º turno já atesta sua aprovação e reconhecimento da ampla maioria dos seus conterrâneos. 

A conferência, criticada por céticos, xenófobos e torcedores do quanto pior melhor, se transformou em um momento histórico para a capital, caiu nas graças do povo e, entre “mortos e feridos”, salvaram-se todos.

Sua realização foi a cereja do bolo dos seus governos e os belenenses são majoritariamente gratos ao feito extraordinário para a capital.

O “velho” Daniel
Daniel Santos tinha muito para representar o “novo”, mas optou, sem-cerimônia, por ser “velho” em seus hábitos, práticas e métodos.

De início fulgurante, ainda que marcado pela perfídia, um sinal evidente do que viria pela frente, o ex-prefeito tem-se mostrado um velhaco em matéria de escândalos, tramas, artimanhas, puxadas de tapetes e traições as mais variadas possíveis.


Surfando na onda do bolsonarismo radical, depois de ter sido “aliado” de Lula, Alckmin, do diabo da Bahia, da Nêga do Leite e de quem quer que fosse a lhe estender a mão, duas premissas inequívocas sustentam sua candidatura:

1ª) O eleitorado cativo bolsonarista, que qual “gado” ou não, vota contra o PT, seus aliados e em quem o capitão endossar. Coloque aí, no mínimo, 30% do eleitorado;


2ª) Tem dinheiro de sobra - muito dinheiro - para bancar a campanha.

Dito isso e somado aos votos do líder evangélico Zequinha (de todos os governos) Marinho, outros inimigos de Helder Barbalho e apostando numa fadiga de material, o ex-prefeito joga todas as suas cartas ainda que nem entre os seus coligados se perceba entusiasmo ou crença de que por trás daquela barba, voz fanha e prontuário policial, habite alguém minimamente confiável.

Pelo contrário, vide quantas personagens já teriam rejeitado acompanhá-lo na chapa. Muito mais do que parecer o candidato perfeito para perder, pelo seu histórico, ele merece perder.


Mário Couto, o resiliente
Pelo andar da carruagem, um capítulo à parte da política paraense dos últimos 25 anos atende pelo nome de Mário Couto.

Sem mandato desde 2014, “tirado” da eleição seguinte, extraordinariamente bem votado em 2022, quando já no PL obteve quase 1,5 milhão de votos, o “velho” político palanqueiro permanece com o recall de respeito, na casa dos 10% para o governo estadual, o que pode torná-lo o fiel da balança no pleito de outubro.

Apesar de ter idade para ser seu pai, o político recém-traído pela turma do ex-presidente Bolsonaro no estado está longe de se constituir num Daniel Traidor Santos da política local.

Chamem-no de demagogo, populista, caricato e até de bicheiro, mas há de se respeitar a sua resiliência política. Fato.

Moral da história: Mais vale um “velho” Couto por perto, com ou sem mandato, do que o “novo” Daniel, que de novo não tem absolutamente nada em matéria de qualidades, virtudes, atributos ou espírito público e de grupo.

Brasil 2030
No paradoxo da vida, dos esportes e da política, um Messi pode sempre ser o novo em corpo de “velho” para a prática esportiva e seus feitos monumentais em mais esta copa estão aí para provar.


Lamine Yamal enche os olhos de quem crê que há esperança futura, qual o bravo Renan (e Kim); Caiado é um político muito melhor que Flávio lá, melhor ainda se estiver ao lado de um Romeu Zema que muito - Minas Gerais - pode somar.

E aqui, no nosso Pará, mil vezes um ciclo de continuidade representado por Hana Ghassan do que imaginar um estado governado pelo político mais enrolado na justiça no último quarto de século da política local e em quem ninguém parece confiar.

Como se vê, a depender dos caminhos e escolhas de cada um, o “velho” pode ser muito mais competitivo que o “novo” e este um de verdade, o novo sem aspas, parece se constituir em algo verdadeiramente raro no pântano da política nacional e local.


Vide os exemplos do bom Joe Biden em 2020 e 2024, dos agora octogenários Trump e Lula, do setentão “jovem por fora” Ronaldo Caiado e dos “jovens velhos” Flávio e Daniel Santos. O oxímoro pode soar estranho, lamentável até. Mas é o que se vê aqui e alhures.

Moral da história again:

Entre Lula e Caiado, palmas (e votos) para o segundo.
Messi e Yamal, sorte aos dois.
Hana ou Daniel, mil vezes ela.
Mário Couto ou o ex-prefeito de Ananindeua, outras 500 vezes o ex-senador.

Como se vê, entre o novo e o velho, as escolhas, provas empíricas e performances atuais devem definir quem, afinal, merece a taça da Copa e o troféu eleitoral.


Inté que o sol, com ou sem El Niño, está de rachar.





Créditos ilustração:
Wikipedia: Messi, Yamal, Lula, Renan Santos e Romeu Zema
Senado: Flávio Bolsonaro e Mário Couto
X: Ronaldo Caiado
Reprodução: Hana Ghassan e Daniel Santos




YouTube - @podcastdoamazonico
Instagram - @doamazonico
Facebook - O Amazônico
Toni Remigio
Fale conosco:
E-mail: contato@oamazonico.com.br
WhatsApp - Telegram: 91 98537-3356

Back to top button
Voltar para o topo