Setores público e privado disputam projetos de crédito de carbono na Amazônia
O Valor Econômico publicou uma reportagem sobre a disputa dos setores públicos e privados por projetos de crédito de carbono na Amazônia.
Segundo a matéria, novos projetos privados tem surgido no âmbito do crédito de carbono a partir redução de emissões por desmatamento e degradação florestal, o arranjo conhecido como REDD+.
Porém, o governo tem se preocupado com essa proliferação, pois defende projetos mais abrangentes.
Segundo o Valor, povos indígenas tem se interessado pela iniciativa, que veem nesses projetos uma alternativa para levantar dinheiro com o objetivo de preservar a floresta, em meio à demora no repasse de recursos oficiais.
1 crédito equivale a 1 tonelada de carbono, e podem ser vendidos a empresas que desejam abater suas pegadas ecológicas.
Segundo o Valor, o governo federal busca criar mecanismos para fortalecer o poder de negociação das comunidades tradicionais contra grupos chamados de caubóis do carbono. Esse é o apelido dado a empresas oportunistas que oferecem a indígenas projetos de REDD+ com visão de curto prazo e distribuição de recursos muitas vezes desigual.
O Ministério do Meio Ambiente tem atuado junto a Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+) para tentar regulamentar o setor com padrões mais rigorosos para a área.
A grande questão é que a verba destinada a povos tradicionais não tem sido suficiente para bancar o trabalho de vigilância atribuído, segundo lideranças ouvidas pelo Valor Econômico.
Vigiar essas áreas, que costuma ter milhares de hectares de extensão, é algo que consome muito dinheiro para combustível, manutenção de barcos e caminhonetes e a remuneração de equipes indígenas, que acabam trabalhando em regime exclusivo na vigilância.
Créditos da imagem: Agência Brasil.
