Saúde Pública: Hospital Estadual Galileu confecciona órtese sob medida e devolve mobilidade a paciente
Dispositivo produzido em quatro horas auxilia no posicionamento dos membros previne deformidades e garante recuperação mais segura
“Está perfeito.” Foi assim que Frederico Augusto Vanderlei de Almeida, de 46 anos, descreveu a órtese personalizada que começou a utilizar durante o tratamento no Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), na Grande Belém.
Mais do que um dispositivo de apoio, o
equipamento representa para o paciente a possibilidade de recuperar o
posicionamento adequado dos pés com mais proteção, conforto e
segurança.
Frederico
foi atingido por um projétil de arma de fogo em 2019. Desde então,
é assistido pelo Programa Melhor em Casa e, a partir de 2023, passou
a receber acompanhamento no Hospital Galileu.
Ao longo
desse processo, surgiu a necessidade de um dispositivo que ajudasse a
manter os pés em uma posição mais funcional e prevenir novas
complicações.
“Eu estava necessitando muito e estou
me adaptando muito bem. A órtese trouxe proteção para os pés,
mais segurança e o conforto de saber que o posicionamento está
voltando ao normal. Também existe a possibilidade de fazer a
regulagem”, relata Frederico.
Confeccionada
especialmente para ele, a órtese auxilia no tratamento do chamado pé
equino, condição na qual o pé permanece direcionado para baixo, em
flexão plantar.
Esse posicionamento inadequado pode
comprometer os movimentos, aumentar o risco de tropeços e quedas e
provocar deformidades ou encurtamentos musculares.
A
terapeuta ocupacional Eloise Santos explica que o dispositivo ajuda a
estabilizar o pé e o tornozelo, mantendo o membro em uma posição
funcional durante o processo de recuperação.
“A
órtese foi confeccionada para um paciente com pé equino e tem como
principal objetivo posicionar e estabilizar o pé e o tornozelo,
evitando que o pé fique em flexão plantar e ‘caia’ para baixo.
Mantendo o pé em posição funcional, o dispositivo reduz o risco de
tropeços, quedas e deformidades, favorecendo um padrão de marcha
mais seguro e eficiente, além do posicionamento funcional do
membro”, detalha.
O
recurso também foi pensado para prevenir deformidades e
encurtamentos musculares provocados pelo posicionamento inadequado
dos pés, especialmente em pacientes que passaram por cirurgias para
o tratamento de fraturas.
Cuidado
feito sob medida
A
órtese foi produzida em aproximadamente quatro horas, com EVA de
três milímetros, tubo de PVC de 150 milímetros e parafusos
plásticos.
Gil Gonçalves, responsável pela confecção,
destaca que todo o processo considerou as medidas e as necessidades
específicas de Frederico.
“Cada etapa é realizada com
cuidado, desde a preparação dos materiais até os ajustes finais. O
dispositivo precisa oferecer sustentação e, ao mesmo tempo,
conforto. Utilizamos materiais resistentes e adaptáveis para chegar
a uma órtese funcional e adequada às necessidades do paciente”,
explica Gil.
Apesar
de ser produzida com materiais relativamente simples, a órtese
depende de avaliação e prescrição da Terapia Ocupacional.
O
dispositivo não é padronizado: cada caso exige a análise das
condições do membro, da força muscular, da amplitude de movimento,
do tônus, da sensibilidade e das necessidades funcionais da pessoa.
“A
avaliação do terapeuta ocupacional é indispensável para
identificar o dispositivo que melhor se encaixa nas necessidades do
paciente. A órtese pode ser prescrita e confeccionada de acordo com
as características individuais e com os objetivos definidos para o
tratamento”, afirma Eloise.
A
possibilidade de regular o equipamento permite realizar ajustes
durante a adaptação e acompanhar as mudanças apresentadas ao longo
da recuperação. No caso de Frederico, os benefícios já são
percebidos na proteção dos pés, no posicionamento e na confiança
proporcionada pelo uso diário.
Ao
falar sobre a assistência recebida, ele reconhece o cuidado dos
profissionais envolvidos em sua recuperação. “De modo geral, é
um atendimento de excelência”, ressalta.
O
ortopedista Marcus Preti acredita que iniciativas como essa reforçam
a importância de uma assistência integrada e centrada nas
necessidades de cada paciente.
“Nosso compromisso vai
além do tratamento das lesões ortopédicas. Buscamos oferecer
condições para que cada paciente recupere, dentro de suas
possibilidades, a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida.
A integração entre Ortopedia e equipe multiprofissional, aliada à
busca por soluções individualizadas, é fundamental para alcançar
esses objetivos”, destaca o responsável pela ortopedia.
“Esse
trabalho demonstra que a inovação também está na capacidade de
adaptar o conhecimento técnico à realidade e às necessidades de
cada pessoa”, acrescenta.
O
Hospital Galileu mantém uma assistência multiprofissional voltada à
recuperação funcional, à autonomia e à qualidade de vida dos
pacientes.
“A confecção da órtese demonstra como o
cuidado humanizado também está nos detalhes e nas necessidades
individuais de cada paciente. Quando a equipe utiliza conhecimento
técnico, criatividade e sensibilidade para desenvolver uma solução
personalizada, contribuímos não apenas para a recuperação física,
mas também para devolver segurança, conforto e confiança”, disse
a diretora-executiva do HPEG, Paula Narjara.
Esse
trabalho reforça o compromisso do HPEG com uma assistência
integral, resolutiva e centrada nas pessoas”, concluiu.
A
confecção individualizada da órtese demonstra como o conhecimento
técnico, associado a soluções acessíveis e ao olhar humanizado da
equipe, pode transformar a experiência de quem enfrenta um processo
prolongado de tratamento.
Com informações e
imagem: Agência Pará
