Posada e a “Flecha Envenenada”: artista lança videoclipe “Madrugada” em Belém
DJ, compositora e produtora aprofunda pesquisas sobre ancestralidade, território e identidade, revisitando suas raízes na capital paraense e expandindo ações formativas no Rio Grande do Sul.
O percurso sonoro e poético de Flecha Envenenada ganhou novos contornos e territórios. Após o sucesso de seu primeiro álbum autoral — lançado em um emocionante show para cerca de 3 mil pessoas na Festa Arruaça, em Porto Alegre —, a artista, compositora, DJ e produtora Posada dá início a uma nova etapa de seu projeto, costurando memórias afetivas entre o Rio Grande do Sul e o Pará.
O grande marco desta fase é o lançamento do videoclipe de “Madrugada”, gravado inteiramente em Belém (PA), cidade que guarda capítulos fundamentais da história familiar e da infância da artista. Com direção e produção de José Guimarães Netto (Guima) e lançado no final de setembro, o trabalho audiovisual funciona como um convite para um passeio intimista pelo olhar de Posada.
Assista ao vídeo:
Memória afetiva sobre rodas e conexões paraenses
A narrativa do clipe começa na Matinha, bairro onde sua mãe cresceu, e resgata um hábito da adolescência da artista: andar de bicicleta por pontos centrais de sua memória afetiva. O roteiro visual passa pela loja de discos do Mercado São Brás, pelo Porto Solamar, por encontros com amigos e familiares pelas ruas, além de outros espaços fundamentais de sua relação com a capital paraense.
“A ideia é que seja um passeio dessa pessoa que tá voltando à cidade querendo reviver tudo isso. Dar esse rolê é revisitar cada espaço especial pra mim!”, conta Posada.
O trajeto dialoga diretamente com a atmosfera de “Madrugada”, canção que aborda a transformação e a evolução pessoal. No vídeo, a artista inicia a caminhada sozinha e, gradualmente, é acompanhada por pessoas que somam à jornada. Musicalmente, a faixa transita com fluidez entre o reggae e o dancehall, com produção de Dessa Ferreira, mixagem e masterização de Luís Lopes, e colaborações dos músicos Thiago Sonho, Júlio Lino, Pedro Vagão e Raphael Moreira.
Para Posada, estar em Belém — onde estão as histórias de sua mãe e avó, o encontro de seus pais e vivências profundas de sua trajetória — é sinônimo de pertencimento absoluto. “Esse é o meu lugar. É muito significativo e emocionante tudo que sinto com relação a esse lugar. Belém tem essa importância revolucionária pra mim”, afirma.
O projeto como construção coletiva em Porto Alegre
Enquanto Belém embala o retorno às raízes e às memórias visuais de “Madrugada”, em Porto Alegre o projeto expande-se por meio do compartilhamento de saberes e da atuação comunitária.
Ainda no mês de setembro, a capital gaúcha recebeu quatro oficinas de discotecagem conduzidas por nomes expressivos da cena cultural local: Arú, B.art, Tom Nunes e Marigdas. As atividades foram estrategicamente abrigadas em espaços de forte impacto social e resistência na cidade:
Coletivo Preta Velha
Ilê Mulher
CREAS
Areal do Futuro
Para Posada, a troca coletiva e o acesso descentralizado à música são pilares inegociáveis de sua caminhada artística, aproximando gerações e fortalecendo os vínculos com a comunidade.
Prómeros passos da flecha
A jornada de Flecha Envenenada está longe de frear. Na sequência da repercussão do videoclipe de “Madrugada”, a artista prepara o lançamento de um novo single, retomando a parceria com o produtor Diabelsmusiq — mente criativa por trás de faixas como “Flechas Certeiras”, “Língua Viva” e “Meta Dobrada”. A nova música promete expandir ainda mais a sonoridade e a pesquisa musical do álbum.
Entre o Pará e o Rio Grande do Sul, Posada consolida Flecha Envenenada não apenas como um trabalho fonográfico, mas como um território vivo de encontros, onde a música atua como ferramenta de resgate de memórias, identidade e transformação coletiva.
O videoclipe de “Madrugada” e outros desdobramentos do projeto podem ser conferidos no canal oficial da artista no YouTube (
Foto: Divulgação
