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Plataforma lançada pela Unicef revela que crianças da Amazônia Legal estão mais expostas a riscos ambientais

Análise inédita sobre exposição ambiental de crianças e adolescentes no Brasil traz 50 recomendações para gestores municipais

Enquanto o Brasil se prepara para os possíveis efeitos do El Niño, ferramenta criada por UNICEF e Vital Strategies compila indicadores de municípios brasileiros e orienta políticas públicas para reduzir riscos ambientais que afetam meninos e meninas


Enquanto o Brasil se prepara para os possíveis impactos do El Niño, o Fundo das Nações para a Infância (UNICEF) e a organização global de saúde pública Vital Strategies lançaram nesta quinta-feira, 23, o Painel Crianças e Meio Ambiente, uma plataforma online que apresenta dados sobre a exposição ambiental de crianças e adolescentes em 5.571 municípios brasileiros.   


A iniciativa reúne informações sobre a exposição a riscos ambientais e climáticos que afetam meninas e meninos.

A ferramenta, voltada à gestão pública municipal, consolida 14 indicadores organizados em quatro áreas temáticas: ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar e infraestrutura ambiental e urbana.

São apresentados dados individualizados dos municípios e os indicadores são classificados em três níveis de prioridade (alta, média e baixa), sinalizando onde são necessárias ações imediatas, onde se recomenda planejamento e adoção progressiva de medidas de melhoria, e onde basta manter o monitoramento contínuo das condições existentes.

O painel traz ainda 50 recomendações para apoiar gestores municipais no planejamento e na implementação de políticas públicas para responder aos desafios identificados pelos dados e proteger a infância e a adolescência.   


O Painel mostra que crianças e adolescentes estão expostos a diferentes desafios ambientais e climáticos em todo o país, mas que há padrões de desigualdade relevantes na distribuição dos riscos.

Muitos municípios da Região Norte e da Amazônia Legal, por exemplo, apresentam indicadores desafiadores em vários dos temas analisados ao mesmo tempo, o que reforça a importância de ampliar investimentos e fortalecer políticas públicas voltadas à proteção da infância e da adolescência. 


A ferramenta também revela que desafios relacionados ao acesso à água, ao saneamento, à coleta de resíduos e às condições de moradia costumam ocorrer de forma simultânea em um mesmo lugar.

Por isso, ações articuladas entre diferentes áreas da gestão pública são fundamentais para promover melhorias duradouras na qualidade de vida de crianças e adolescentes. 


Os resultados também indicam que mesmo em regiões com indicadores socioeconômicos tradicionalmente melhores, há desafios: os grandes centros urbanos têm indicadores preocupantes de qualidade do ar; o acesso a áreas verdes em escolas no Sudeste é um desafio; e há necessidade de promover a adaptação a diferentes eventos climáticos extremos em todas as regiões do país. 


Considerar essas particularidades é essencial para o planejamento de ações mais efetivas e adequadas às necessidades locais. 


Para Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil, ao reunir dados acessíveis e territorializados, a ferramenta contribui para a definição de prioridades e para o fortalecimento de ações adaptadas às realidades locais, integrando também as estratégias do Selo UNICEF como apoio ao desenvolvimento de políticas públicas.

“Crianças e adolescentes são os mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas e da poluição, embora sejam os que menos contribuem para esse cenário. Lançado no momento em que o País se prepara para a chegada do El Niño e seus possíveis impactos, o Painel foi desenvolvido para apoiar gestores públicos na identificação dos principais riscos que afetam meninos e meninas em seus territórios, oferecendo evidências que ajudam a orientar ações mais eficazes para proteger seus direitos e seu desenvolvimento”, afirma. 


“Um ambiente seguro, saudável e sustentável não é apenas um direito, mas também um elemento essencial para reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento integral na infância e na adolescência. Visando futuros melhores e mais seguros, essa ferramenta permite um olhar qualificado e individualizado para o território, subsidiando ações mais preventivas focadas em riscos ambientais previsíveis e evitáveis”, completa Pedro de Paula, Vice-presidente sênior de Inovação da Vital Strategies.   


Análise dos indicadores em nível nacional 

Para oferecer um diagnóstico da distribuição desses indicadores no território brasileiro, UNICEF e Vital Strategies realizaram uma análise que permitiu identificar as regiões com maior concentração de vulnerabilidades socioambientais e climáticas.

A análise dos indicadores mostra que uma parcela significativa do território brasileiro está exposta a múltiplos fatores de risco ambientais simultaneamente.

Em 333 municípios (6%), foi identificada alta prioridade em 10 ou mais indicadores, enquanto 108 municípios (1,9%) não apresentaram alta prioridade em nenhum dos indicadores analisados.

Dos municípios com maior número de indicadores classificados como alta prioridade, há alta concentração na Região Norte e no Maranhão.  


Na área de ambiente escolar, os dados mostram que a infraestrutura disponível nas escolas ainda representa um desafio para muitas crianças e adolescentes.

Um dos indicadores analisados mede a proporção de matrículas na educação básica em estabelecimentos que não dispõem simultaneamente de água encanada, esgotamento sanitário e coleta de lixo.

Os municípios que tiveram esse indicador classificado com alta prioridade estão principalmente nas regiões Norte (71% dos municípios da região) e Nordeste (49%).

Outro indicador avalia a presença de áreas verdes nas escolas. Nesse indicador, mais da metade dos municípios nordestinos (52%) está na faixa de alta prioridade.

No Sudeste, 39% dos municípios também apresentam alta prioridade nesse indicador, mas o dado ganha dimensão ainda maior porque eles reúnem mais da metade das crianças e adolescentes da região.  


Na área de eventos climáticos extremos, os indicadores permitem identificar territórios que registraram chuvas intensas, ondas de calor e secas acima da média histórica em anos recentes.

Em relação às chuvas intensas, os municípios que tiveram esse indicador classificado como alta prioridade estão concentrados nas regiões Norte (91%) e Sul (68%).

Já as ondas de calor apresentam alta prioridade em 64% dos municípios do Centro-Oeste e em 60% no Norte.

O indicador de secas apresenta uma distribuição diferente daquela tradicionalmente associada ao fenômeno no Brasil, porque o indicador mede eventos recentes.

Os municípios que possuem esse indicador como alta prioridade estão principalmente no Sudeste (38%) e no Centro-Oeste (28%), e há também uma concentração em municípios de áreas da região Norte onde houve secas intensas em anos recentes, como na região do Alto Rio Negro, no Amazonas.  


Na área de infraestrutura ambiental e urbana, o indicador de acesso à água tratada apresenta alta prioridade em 60% dos municípios do Norte e 48% do Nordeste.

O mesmo padrão é observado no indicador de crianças e adolescentes que vivem em domicílios sem ligação à rede geral de abastecimento.

Os dados sobre saneamento também apontam desigualdades regionais importantes.

O esgotamento sanitário inadequado apresenta alta prioridade em 87% dos municípios do Norte e 55% dos municípios do Nordeste.

Já os indicadores relacionados à coleta inadequada de lixo seguem tendência semelhante, apresentando alta prioridade com maior frequência nos municípios das regiões Norte e Nordeste. 


Os indicadores relacionados a condições de moradia de crianças e adolescentes mostram que os municípios com maior proporção de moradias precárias estão principalmente nas regiões Norte (79%), Nordeste (44%) e Centro-Oeste (40%), contexto que pode ampliar a exposição a outros riscos ambientais e dificultar o acesso a serviços essenciais. 


Na temática de qualidade do ar, o indicador de dias com poluição do ar por partículas finas acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta maior incidência na Região Norte, onde 94% dos municípios apresentam alta prioridade nesse indicador.

No Sudeste, 39% dos municípios também apresentam alta prioridade no indicador, porém eles concentram 72% da população infantil da região.

Esses dados apontam para problemas de natureza diferente – no Norte, a alta concentração de material particulado está associada principalmente às queimadas; no Sudeste, concentrada nas grandes áreas metropolitanas, as causas são principalmente o transporte rodoviário e a produção industrial. 


A alta prioridade no indicador de poluição do ar associada ao transporte rodoviário é mais frequente nos municípios do Centro-Oeste (66%) e do Sul (57%).

Em relação à densidade de focos de calor (uma medida de ocorrência de incêndios), 41% dos municípios do Nordeste apresentam alta prioridade nesse indicador.

Os dados indicam que a ocorrência de incêndios e queimadas não está restrita à Amazônia e afeta outras regiões do país.  


Sobre o Painel 

Desenvolvido por UNICEF e Vital Strategies, O Painel Crianças e Meio Ambiente é voltado à gestão pública.

A ferramenta consolida 14 indicadores organizados em quatro áreas temáticas — ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar e infraestrutura ambiental e urbana —, apresenta perfis individualizados dos municípios, e oferece um diagnóstico da situação de cada cidade, destacando os principais desafios para o bem-estar de crianças e adolescentes daquele território. 


Dentro do Painel, cada indicador é classificado em três níveis de prioridade (alta, média e baixa), sinalizando onde são necessárias ações imediatas, onde se recomenda planejamento e adoção progressiva de medidas de melhoria, e onde basta manter o monitoramento contínuo das condições existentes. 


Além de disponibilizar informações territorializadas, a ferramenta reúne 50 recomendações para apoiar gestores municipais no planejamento e na implementação de políticas públicas voltadas à proteção da infância e da adolescência.

As recomendações – baseadas em orientações do governo federal; de organismos multilaterais, como o próprio UNICEF, e a Organização Mundial de Saúde; e de outras fontes especializadas – são adaptadas aos diferentes indicadores analisados e buscam apoiar a definição de prioridades e o desenvolvimento de respostas adequadas às realidades locais. 



Acesso à plataforma: https://www.criancasemeioambiente.org.br/


Com informações: www.unicef.org/brazil



 






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Toni Remigio
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