Na BBC: Sem Michelle e com Milei, Flávio oficializa candidatura e promete que Bolsonaro subirá a rampa do Planalto em 2027
Se o 2º turno fosse hoje, ele teria 42% das intenções de voto ante 46% de Lula, segundo agregador de pesquisas da BBC News Brasil
Marina Rossi, da BBC News Brasil em São Paulo
Prometendo
que o ex-presidente Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto em
2027, Flávio Bolsonaro oficializou neste sábado, 25, sua
candidatura à Presidência em um evento em São Paulo, longe do seu
reduto, o Rio de Janeiro.
A
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que fez as pazes publicamente
com o enteado há dois dias, após uma briga pública nas redes
sociais, não esteve presente. No lugar, mandou um vídeo exaltando o
marido e "abençoando" a candidatura de Flávio, nome
mencionado por ela uma única vez.
"Flávio,
que Deus abençoe e proteja a sua candidatura", disse ela, após
dizer que o marido é "o grande líder" e se justificar
pela ausência. "O meu galego não pode estar com vocês, eu
também não posso porque estou em casa cuidando dele."
Esperado
para o evento, o presidente da Argentina, Javier Milei, subiu ao
palco ao som de rock, fez um discurso em espanhol que durou quase
meia hora, levando parte da militância que ocupava um auditório no
estádio do Pacaembu a ir embora.
Em
um discurso inflamado, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca", por ter
negado pedido de visita a Jair Bolsonaro, em prisão
domiciliar.
Após enaltecer suas políticas econômicas na
Argentina, criticou o socialismo, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) e as políticas sociais.
"Esse
é o método que tem operado em toda a região: causar desequilíbrio
econômico com o objetivo de 'comprar' votos para não perder o poder
nas eleições seguintes", afirmou.
Milei,
que tenta se posicionar como o líder da direita na América Latina,
associou a candidatura de Flávio a uma "transformação
política em curso" na região.
Segundo ele, países
da América Latina estão se alinhando à direita e abandonando a
esquerda, movimento ao qual o Brasil pode se juntar com a eventual
eleição de Flávio.
Repetindo
o feito de Michelle em 2022, Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio,
fez um discurso acenando às mulheres, onde está a maior rejeição
a Flávio, segundo as pesquisas. E passou o microfone ao marido.
Já
havia passado das 13h quando Flávio finalmente iniciou seu discurso
para uma plateia já pela metade.
Evocou
Deus para ter força e coragem para "resgatar o Brasil",
agradeceu à mulher, que estava de um lado, à mãe, Rogéria
Bolsonaro, do outro, e disse que estava ali para "honrar todas
as mães do Brasil".
Agradeceu
a Michelle pelo vídeo, agradeceu ao pai e chorou. "Deus queira
que nunca vocês tenham um pai perseguido como ele está sendo",
disse.
Criticou
o Supremo, porém com um discurso mais brando que Milei, mencionando
"abusos por parte do Judiciário brasileiro", que estaria,
segundo ele, calando parte da população.
Batendo
no peito, mencionou o colete à prova de balas que usava debaixo da
camisa. Lembrou que foi "escolhido" pelo pai e prometeu que
"em janeiro de 2027 Jair Bolsonaro vai subir a rampa do
Planalto".
O
evento também contou com uma participação virtual de Jair
Bolsonaro, que apareceu em um vídeo afirmando ser aquela uma imagem
criada por inteligência artificial.
"Nenhuma
prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso
país", disse.
Benjamin
Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, país com o qual o
bolsonarismo tem afinidades, e para onde Flávio viajou como parte da
pré-campanha, também enviou um breve vídeo de apoio ao filho mais
velho do ex-presidente.
Os
irmãos, Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos desde o
ano passado, e o pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos
Bolsonaro (PL), também enviaram depoimentos por vídeo. Apenas o
filho mais novo, Jair Renan (PL-SC), estava presente.
Com
tom de culto religioso, o senador Rogério Marinho (PL-RN) fez o
papel de apresentador da convenção do PL. Valdemar Costa Neto,
presidente da sigla, abriu o evento, dizendo ter orgulho de estar "há
40 anos no mesmo partido".
Em
meio a dificuldades em conseguir apoio político por meio de alianças
para a campanha de Flávio, também dividiram o palco e o microfone o
governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o
prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Nunes
falou em "esquerda imunda", e Tarcísio, que é
pré-candidato à reeleição, focou na economia e na violência.
"Olha
o que ele (MIlei) está fazendo lá: ajustes duros", afirmou
ele. "O país voltou a crescer. Isso foi feito lá e pode ser
feito aqui."
E
prometeu "trabalhar muito" para eleger "o maior
presidente da história".
Tanto
o MDB quanto o Republicanos, ambos do Centrão, ainda não
oficializaram seus apoios nesta eleição.
O
partido de Tarcísio deve decidir no dia 1o de agosto se apoiará
Flávio ou se vai liberar seus diretórios estaduais para realizarem
suas alianças locais. Questionado pela BBC News Brasil se sua sigla
se juntará ao PL, Tarcísio se resumiu a dizer "estamos
trabalhando para isso".
Na
semana passada, a federação União Progressista, formada pelos
partidos União Brasil e Progressistas, decidiu manter-se neutra em
relação ao apoio a Flávio, liberando os diretórios estaduais para
definirem seus posicionamentos. Foi um revés das siglas que fazem
parte da espinha dorsal do Centrão.
Caso
o Republicanos siga pelo mesmo caminho, a candidatura de Flávio deve
ser feita com uma chapa "puro sangue", ou seja, sem nenhum
partido coligado.
Cabe ao partido de Valdemar Costa Neto
encontrar, internamente, um candidato a vice-presidente, tarefa que o
PL vem tentando há meses sem êxito.
Momento
de obstáculos
O lançamento oficial da candidatura de Flávio ocorre em um momento de grandes obstáculos para ele.
Além
da briga pública com Michelle, aparentemente controlada neste
momento, e da ausência de uma coligação, novas notícias voltaram
a ligar seu nome ao escândalo do Banco Master.
Nesta
semana, a imprensa publicou que seu escritório de advocacia emitiu
três notas fiscais no valor total de R$ 1,5 milhão em favor de
empresas supostamente usadas por Daniel Vorcaro para movimentar
dinheiro do Banco Master, duas delas canceladas no mesmo dia.
Em
nota, o senador afirmou que não quis prestar serviços para a
empresa e que por isso cancelou as notas.
O
pré-candidato foi associado pela primeira vez a Vorcaro quando
áudios em que ele aparece pedindo dinheiro ao banqueiro para
financiar a cinebiografia de seu pai tornaram-se públicos. Flávio
nega qualquer irregularidade.
Na
quinta, 24, o ministro do STF André Mendonça autorizou que a
Polícia Federal investigue se o dinheiro foi usado para custear a
vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Flávio
também foi fotografado com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão,
conhecido como Sicário, suspeito de integrar uma "milícia
pessoal" de Vorcaro e que se matou na prisão.
O
senador primeiro disse que não conhecia Sicário e que muitas
pessoas pedem para tirar foto com ele. Depois afirmou que a imagem
foi fabricada.
Apesar
da sucessão de crises, Flávio Bolsonaro segue competitivo. Se o
segundo turno fosse hoje, ele teria 42% das intenções de voto ante
46% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o
agregador de pesquisas da BBC News Brasil, atualizado constantemente
com os últimos levantamentos.
Com
informações: www.bbc.com/portuguese
Crédito
imagem: AFP
via Getty Images / bbc
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