Na BBC: Quem chega, quem fica e quem sai: quais são os nomes cotados para o governo Lula 4
Reportagem da BBC News Brasil apurou que Lula iniciará as tratativas logo após o feriado de Finados
Marina Rossi, da BBC News Brasil em São Paulo
Com
a promessa de fazer um mandato "diferente", o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva tomará posse em janeiro pela quarta vez e
tentará acomodar apoios e aliados em seu governo.
Alguns
nomes já estão na mesa, sob avaliação do presidente, que terá
ainda a missão de formar novos quadros para que o PT tenha fôlego
para competir nas eleições de 2030, dado que Lula não poderá
tentar a reeleição novamente.
Aqueles
que se destacaram durante a campanha devem formar parte do Lula 4.
Mas para ter algum apoio num Congresso tão adverso, o presidente
também precisará compor com o Centrão, bloco informal, formado por
partidos de centro-direita que costumam apoiar diferentes governos em
troca de verbas e cargos.
Como
em todo ano eleitoral, a dança das cadeiras começa meses antes do
pleito, quando alguns ministros deixam seus cargos para concorrer ou
participar do núcleo duro das campanhas.
O
presidente não tem um prazo para se decidir sobre quem entra, quem
sai e quem fica em seu quarto mandato. Mas a reportagem apurou que
Lula iniciará as tratativas logo após o feriado de Finados.
A
comunicação, a primeira a ser apontada como culpada por qualquer
mau desempenho em um governo, desta vez também não passará impune.
Depois
do primeiro turno, quando Lula ficou em segundo lugar atrás de
Flávio Bolsonaro (PL), o ministro da Secretaria de Comunicação
Social (Secom), Sidônio Palmeira, ficou na berlinda.
Petistas
o apontaram como responsável pela derrota da campanha, que em poucos
dias recebeu reforços, diminuindo o poder de Sidônio, que havia se
afastado da Secom para coordenar a campanha.
A
BBC News Brasil apurou que ele não deve voltar. O nome mais cotado
para assumir o comando da Comunicação de Lula 4 é o do jornalista
Laércio Portela.
Ele
já esteve à frente da pasta, de forma interina, em maio de 2024,
quando o então chefe da Comunicação, Paulo Pimenta, deixou a Secom
para ser nomeado ministro extraordinário para a reconstrução do
Rio Grande do Sul.
Educação
e Casa Civil
O ex-ministro da Educação Camilo Santana deixou a pasta em abril, quando o PT ainda cogitava que ele disputasse novamente o governo do Ceará, diante das dúvidas sobre se o governador Elmano Freitas teria estofo para uma reeleição.
Acabou
ficando na coordenação da campanha cearense e reelegeu Elmano no
primeiro turno.
Diante do êxito, Camilo foi escalado por Lula
para o primeiro batalhão de sua campanha no segundo turno, dividindo
a coordenação com o presidente do partido, Edinho Silva.
Com Camilo afastado, a pasta ficou sob o comando de Leonardo Barchini, o número 2 do MEC.
Barchini
participou da gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo,
entre 2013 e 2016, à frente da Secretaria de Relações
Internacionais.
Uma fonte afirmou à BBC News Brasil que
Lula tem gostado do desempenho de Barchini na Educação e deve
mantê-lo no cargo.
Diante
do desempenho positivo de Camilo e da satisfação de Lula com
Barchini, o presidente passou a cogitar o cearense para outra pasta,
a da Casa Civil.
O
ministério está sob o comando de Miriam Belchior, depois que Rui
Costa se afastou do cargo para disputar — e ganhar — o Senado
pela Bahia.
A
ministra, que já havia participado do governo de Dilma Rousseff à
frente da pasta do Planejamento, Orçamento e Gestão, também tem
boa avaliação do presidente Lula, o que deixa ainda incerta a ida
de Camilo para a Casa Civil.
Fazenda
Dois dias antes do primeiro turno, Lula se reuniu com centenas de empresários em um jantar em São Paulo. Naquele momento, ele aparecia em segundo lugar nas pesquisas e a campanha temia uma derrota apertada ainda no primeiro turno.
Uma
das expectativas da noite era que o presidente anunciasse um novo
ministro da Fazenda, capaz de acalmar o humor do mercado, diante da
cobrança pelo ajuste fiscal, e melhorar assim o percentual de
intenção de voto no petista.
Mas
Lula não mencionou nomes em nenhum momento da campanha.
Passado
o pleito, o presidente terá que arrumar a casa. A Fazenda deve ficar
sob o comando do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles. O
Lula deve viajar a Teresina (PI) na semana que vem, quando aliados de
Fonteles acreditam que ele formalizará o convite.
Há
uma especulação sobre a permanência de Fonteles no governo do
Piauí por ao menos dois anos, antes de sua ida para Brasília. Mas
nos bastidores, o que se diz — e não é de hoje — é que "se
Lula chamar, não se pode dizer não".
A
reportagem apurou que Fonteles, que foi secretário da Fazenda no
Piauí, na gestão de Wellington Dias, deve formar o Lula 4 desde o
início.
Se assim for, o governador deve querer autonomia
total, o que pode significar que Dario Durigan, que hoje comanda a
Fazenda, não permaneça no ministério.
Durigan
era secretário-executivo da pasta quando o titular, Fernando Haddad,
deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo, em abril.
O
futuro do ex-prefeito de São Paulo talvez seja um dos mais incertos.
Seu desempenho foi ruim nas urnas. O pleito no estado se encerrou já no primeiro turno, com a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 62% dos votos.
A
rejeição ao PT, que nunca conseguiu governar o estado, somada à
alta aprovação de Tarcísio e à ausência de outras candidaturas
na disputa, formou o cenário adverso para a candidatura de Haddad.
O
ex-prefeito paulistano também não conseguiu se reeleger em 2016,
nem em 2018, quando disputou a presidência com Jair Bolsonaro (PL)
enquanto Lula estava preso.
Nos
bastidores, é sabido que o desejo do ex-ministro é voltar à vida
acadêmica. Mas o que ainda não se sabe é qual é a opinião de
Lula sobre isso.
Segurança
Na última semana, o nome do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos nomes mais conhecidos no combate ao crime organizado e ao Primeiro Comando da Capital (PCC), foi ventilado para liderar um eventual ministério da Segurança Pública.
A
pasta ainda não existe. Ela está prevista na Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) da Segurança Pública, que amplia o papel da
União contra o crime organizado.
Promessa
de campanha de Lula, a PEC está em fase final de tramitação no
Senado. A expectativa do governo é que seja votada ainda neste ano.
Se
assim for, o nome de Gakiya está na praça. Assim como o do
ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Rui Costa. A
reportagem apurou que Lula ainda não se decidiu.
Os
que ficam — e os que chegam
Dentre os que permanecerão em seus ministérios, Alexandre Padilha, na Saúde, é uma das maiores certezas.
Até
fevereiro, o ministro estava à frente da Secretaria de Relações
Institucionais (SRI), cargo que já havia ocupado no segundo mandato
de Lula, entre 2009 e 2010.
Padilha
retornou à Saúde depois que a ex-ministra Nísia Trindade foi
demitida por Lula, no fim de fevereiro.
O
médico foi candidato ao governo de São Paulo em 2014, mas terminou
em terceiro lugar na disputa vencida por Geraldo Alckmin, na época
no PSDB.
Secretário municipal da Saúde na gestão de
Haddad, o ministro é um dos homens de confiança do presidente.
Da
mesma forma, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que disputaram
o Senado por São Paulo e não foram eleitas, devem voltar para seus
ministérios: Meio Ambiente e Planejamento e Orçamento,
respectivamente.
Aloízio
Mercadante, que tirou férias da presidência do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para se dedicar à
campanha, também deve permanecer no cargo.
Mas,
além dos nomes de pessoas que navegam há anos com o presidente,
Lula tem avaliado oxigenar seus ministérios.
O
deputado federal André Janones (Rede-MG), que mobilizou milhões de
pessoas em um "exército" digital nas redes sociais, teve
um desempenho apontado como crucial para a virada no segundo turno.
Por
isso, seu nome também está sobre a mesa, mas ainda sem uma pasta
específica.
O
ex-prefeito de Recife, João Campos (PSB), era uma promessa de
sucessão para a esquerda. Filho de Eduardo Campos, herdeiro direto
da política familiar de Miguel Arraes, foi deputado federal por
Pernambuco aos 26 anos.
Mas,
ao perder no primeiro turno para a governadora reeleita Raquel Lyra
(PSD), João Campos, atual presidente do PSB, perdeu também um pouco
da expectativa que vem de fora.
Lula
cogita seu nome para chefiar o Ministério das Cidades, hoje
comandado por Vladimir Lima, que tem um perfil mais técnico e não é
filiado a nenhum partido.
Ainda
com foco na juventude, a reportagem apurou que Lula avalia os nomes
de três mulheres: Ana Elisa, uma das grandes revelações do PT,
eleita a deputada federal mais jovem de Minas Gerais, aos 21 anos, e
com forte presença nas redes sociais; Ana Julia Ribeiro, eleita
deputada federal pelo Paraná, após passagens pela Câmara Municipal
de Curitiba e pela Assembleia Legislativa do Paraná; e Dandara
Tonantzin, deputada federal reeleita em Minas Gerais.
Com
informações: www.bbc.com/portuguese
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