Na BBC: Por que Alexandre de Moraes decidiu autorizar visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, Jair, após 3 meses de proibição
A restrição a visitas havia sido imposta em julho, por 90 dias, por descumprimento de medidas cautelares, quando o ex-presidente escreveu uma carta de apoio à pré-candidatura de Flávio
Pedro Martins, da BBC News Brasil em Londres
O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),
autorizou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) retome suas visitas ao
pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
Moraes
escreveu em sua decisão, porém, que os encontros não podem ter
"finalidade político-eleitoral", incluindo a divulgação
de qualquer declaração de Bolsonaro sobre a eleição, que se
aproxima do segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro, com o
enfrentamento entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT).
A
restrição a visitas havia sido imposta em julho, por 90 dias, por
descumprimento de medidas cautelares, quando o ex-presidente escreveu
uma carta de apoio à pré-candidatura de Flávio, violando as
condições de sua prisão domiciliar. O prazo de três meses expirou
neste domingo, 11.
"O
período sancionatório de suspensão de visitas em virtude do
descumprimento de condição judicial estabelecida para o cumprimento
do regime domiciliar humanitário se encerrou, completando os 90 dias
determinados na decisão judicial. Não houve qualquer fato
superveniente que indicasse a necessidade de eventual prorrogação,
como bem ressaltado em parecer da Procuradoria-Geral da República."
A
carta de Bolsonaro
Na sua carta de julho, Jair Bolsonaro
pediu que apoiadores deixassem de lado eventuais divergências e se
empenhassem pela então pré-candidatura do filho, Flávio, à
Presidência.
Ele
escreveu que o senador é a melhor opção para livrar o Brasil da
corrupção, da violência e do empobrecimento, além de afirmar que
confia nele para resgatar o país e conduzi-lo à paz e à
prosperidade.
Bolsonaro
também reforçou a necessidade de união em torno do projeto
político, encerrando a mensagem com o lema "Deus, pátria,
família e liberdade".
Leia
a carta na íntegra abaixo:
Saudoso
do contato com o povo ao qual devo lealdade. Escrevo num momento de
decisão para todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato a presidencia, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violencia e do empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade. Um afetuoso abraço a todos na certeza de que juntos tudo faremos pela nossa pátria.
Deus,
pátria, família e liberdade.
A
condenação e a prisão de Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro e
os outros ex-integrantes do seu governo foram condenados por cinco
crimes relacionados a um plano de golpe de Estado para impedir o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva de assumir o poder após vencer
as eleições de 2022.
O
ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, pelos
crimes de: liderança de organização criminosa, tentativa de
abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de
Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de
patrimônio tombado.
Ele
começou a cumprir sua pena no dia 22 de novembro de 2025, na
Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal.
Depois,
foi transferido para a Papudinha, também em Brasília, até ter o
benefício da chamada prisão domiciliar humanitária, decretada no
dia 24 de março de 2026 por Moraes, por motivos de saúde.
Na
ocasião, a Justiça determinou como medida cautelar a proibição de
utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de
terceiros, o que teria sido descumprido no dia 13 de julho de 2026,
quando foram suspensas as visitas de Flávio.
Com
informações: www.bbc.com/portuguese
Crédito
imagem: Reprodução Reuters, via BBC News Brasil
