Na BBC: Petróleo na Margem Equatorial e por que projeto de exploração ali é controverso?
Para Petrobras, Margem Equatorial, uma faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, é a "provável nova fronteira energética do Brasil"
A Petrobras divulgou na noite desta sexta-feira, 14, ter encontrado indícios de petróleo na bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas "ultraprofundas" na costa do Amapá.
O
achado, que ainda não significa que a exploração de petróleo
seria economicamente viável ali, ocorreu no poço Morpho, a cerca de
175 km da costa. De acordo com a empresa, as buscas por petróleo na
área continuarão.
"Nosso
otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma
hoje", comemorou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em
nota à imprensa.
A
prospecção — fase de pesquisa, em que ainda não há produção
de petróleo — na região é uma prioridade para a Petrobras desde
antes do mandato atual de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o
petista endossa o objetivo, mesmo que o plano tenha opositores dentro
do próprio governo.
Diversas
organizações ambientais já se colocaram contra os planos de
exploração na área, considerada ecologicamente sensível.
Eventuais impactos da exploração de petróleo ali são
desconhecidos e esta seria uma aposta em uma fonte energética
altamente poluente, defendem.
Em
entrevista à BBC News Brasil em setembro de 2025, Lula afirmou que
nenhum país "está preparado para ter uma transição
energética capaz de abdicar do combustível fóssil".
A
Petrobras argumenta que uma possível exploração ali "permitirá
contribuir com o atendimento à demanda crescente por energia" e
seria "realizada com investimentos tecnológicos que garantem
segurança operacional e cuidado ambiental".
Para a
empresa, a Margem Equatorial, uma faixa que vai do Amapá ao Rio
Grande do Norte, é a "provável nova fronteira energética do
Brasil".
A
Petrobras recebeu autorização do Instituto Brasileiro de Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para sondar
petróleo na bacia da Foz do Amazonas em outubro do ano passado —
na véspera da conferência ambiental COP30, realizada em Belém em
novembro.
Mas
essa autorização por parte do Ibama levou alguns anos, tendo sido
rejeitada anteriormente.
Outra preocupação é com o impacto da exploração na área para comunidades que ali vivem, como de indígenas e quilombolas.
A
líder indígena Luene Karipuna, membro da Articulação dos Povos e
Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP),
afirmou durante a COP30 que três terras indígenas, onde vivem
quatro povos, já estavam sofrendo com a perspectiva da prospecção
e exploração de petróleo no Amapá.
"Somos
excluídos como se não existíssemos. Há sobrevoos sobre nosso
território, pressão constante, e o impacto mais doloroso é quando
empresas tentam dividir as lideranças. Nenhuma compensação paga o
que já fizeram", afirmou Karipuna.
"É
a porta de entrada para explorar toda a Margem Equatorial, e essa é
uma conta que não pode ser paga pelos povos indígenas."
Conforme
mostrou a BBC News Brasil no início do ano, o município de
Oiapoque, o mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já está
passando por ocupação desordenada e especulação imobiliária
devido à perspectiva de exploração do petróleo.
Com
informações: www.bbc.com/portuguese
Crédito imagem: Divulgação/Petrobras
