Na BBC: EUA consideram novas sanções contra Alexandre de Moraes, diz jornal britânico
O ministro já havia sido sancionado pelo governo americano em julho do ano passado pela Lei Magnitsky
O jornal britânico Financial Times noticiou no domingo, 16, que o governo dos Estados Unidos está discutindo novas sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em meio à crise diplomática entre os dois países.
“O
governo (de Donald) Trump considerou adotar novas medidas contra o
ministro Alexandre de Moraes — que já havia sido alvo de sanções
no ano passado por questões de direitos humanos, antes de a medida
ser revogada —, segundo pessoas a par do assunto”, publicou o
Financial Times.
“A
atenção de Washington sobre o magistrado pode ampliar a divergência
com Brasília em questões comerciais e políticas, lançando uma
sombra sobre as próximas eleições na maior democracia da América
Latina.”
Moraes já havia sido sancionado pelo governo americano em julho do ano passado pela Lei Magnitsky.
Foi
a primeira vez que uma autoridade brasileira foi submetida a tal
punição, uma das mais severas disponíveis para Washington contra
estrangeiros considerados autores de graves violações de direitos
humanos e práticas de corrupção.
A
punição — que restringia as movimentações financeiras de
Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes — foi
adotada em um momento em que o governo Donald Trump fazia críticas
ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe
de Estado.
Mas
em dezembro, após uma aproximação diplomática entre Trump e o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Moraes e sua esposa foram
retirados da lista de sancionados da Lei Magnitsky.
Segundo
o Financial Times, os EUA voltaram a discutir agora a situação
de Moraes devido a decisões recentes em relação a um caso que
desencadeou um debate sobre a liberdade de imprensa no Brasil.
Na
semana passada, Moraes autorizou uma operação de busca e apreensão
da Polícia Federal (PF) contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do
governo do Maranhão apontado como uma das fontes do jornalista Luís
Pablo.
A
medida faz parte de uma investigação sobre a obtenção e
divulgação de informações relacionadas ao ministro Flávio Dino,
também do STF, e foi tomada depois que a PF identificou Cutrim a
partir da análise de equipamentos apreendidos anteriormente com o
jornalista.
A
investigação começou após Luís Pablo publicar reportagens sobre
o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e
familiares. Em março, o jornalista foi alvo de uma primeira
operação, quando a PF apreendeu celulares, notebook e outros
dispositivos.
Segundo
os investigadores, a análise desse material levou à identificação
de Cutrim como a pessoa que teria fornecido ao jornalista imagens e
informações obtidas em sistemas de acesso restrito.
Com
base nessas informações, a PF pediu a realização de novas buscas
contra Cutrim.
O
pedido recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República
e foi autorizado por Moraes. Entre os materiais que poderiam ser
apreendidos estão aparelhos eletrônicos e documentos.
A
medida provocou reação de entidades brasileiras e internacionais de
defesa da liberdade de imprensa porque a identificação da suposta
fonte ocorreu a partir da análise do material retirado do
jornalista.
Para
organizações como ARTICLE 19, Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e
Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o caso levanta questões
sobre a proteção constitucional e internacional das fontes
jornalísticas.
Uma
fonte ligada ao governo Trump disse ao Financial Times que Moraes
"tem visado os apoiadores do presidente (Trump)".
"Mesmo
que queiramos um bom relacionamento com o Brasil, é óbvio que esse
sujeito é um inimigo", disse a fonte ao jornal.
O
jornal afirma que não está claro "se ou quando" uma
decisão será tomada, mas que a notícia surge em um momento de
escalada das tensões entre Brasil e EUA, com novos tarifaços
anunciados por Washington contra o Brasil no mês passado.
Com
informações: www.bbc.com/portuguese
Crédito imagem: Bruno Peres/Agência Brasil
