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Medicina na Amazônia: após percorrer quilômetros, paciente viaja de bajara pelo rio para encontrar hidroavião com equipe médica e consegue laudo esperado.

Médico Erick Jennings, da Fundação Dieter Morszeck, faz atendimento médico gratuito em regiões afastadas da região amazônica

De Santarém


Depois de percorrer vários quilômetros de motocicleta por trilhas na floresta e seguir viagem em uma pequena embarcação, um morador da Terra Indígena Rio Maró, localizada na Gleba Nova Olinda, no município de Santarém, finalmente conseguiu o atendimento médico que buscava havia meses.

A consulta aconteceu de forma inusitada: no meio do rio, quando a pequena bajara em que o paciente viajava se aproximou da aeronave da missão humanitária pouco antes da decolagem.

De longe, a embarcação chamava a atenção. Na proa, alguém acenava pedindo ajuda. Era mais um encaixe de última hora. O rio se transformou em consultório.

A equipe interrompeu os preparativos para a partida e o neurocirurgião Erick Jennings realizou o atendimento ali mesmo, na plataforma do hidroavião, sobre as águas.

O médico analisou exames de raio-x, conversou com o paciente e avaliou seu estado de saúde.

Além da consulta clínica, o morador precisava de um laudo médico para solicitar um benefício social.

Ele havia sofrido um acidente com arma de fogo durante uma caçada, que atingiu o crânio e deixou sequelas permanentes.

O atendimento foi possível graças à iniciativa de saúde humanitária da Fundação Dieter Morszeck, que leva assistência médica gratuita a comunidades isoladas da Amazônia, realizando consultas, resgates e até pequenas cirurgias a bordo de aeronaves totalmente equipadas, sem qualquer custo para o governo ou para a população.

Segundo o neurocirurgião Erick Jennings, que fez o relato em seus perfis de rede social, situações como essa são frequentes na região.

Muitos pacientes enfrentam longas viagens por rios e estradas de difícil acesso para conseguir atendimento especializado e documentos médicos indispensáveis para garantir direitos previdenciários e benefícios sociais.

“O laudo médico é fundamental para que esse paciente consiga o benefício e mantenha o sustento da família. Muitas pessoas vivem em comunidades distantes e encontram dificuldade para acessar esse tipo de serviço. Por isso, percorrem grandes distâncias em busca de atendimento”, explicou o médico.

A Fundação Dieter Morszeck atua de forma voluntária na Amazônia oferecendo assistência médica gratuita a populações de difícil acesso.

Segundo a instituição, toda a estrutura, incluindo transporte aéreo, equipe médica e procedimentos realizados, é mantida exclusivamente por iniciativa privada e trabalho voluntário.

Para ampliar o acesso à saúde em regiões remotas, a fundação opera com duas aeronaves do modelo Quest Kodiak 100.

Uma delas possui configuração terrestre e a outra é anfíbia, com capacidade para pousar tanto em pistas quanto na água.

Ambas são equipadas com estrutura médica e cirúrgica certificada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), permitindo desde atendimentos especializados até pequenos procedimentos de emergência.

As aeronaves já foram utilizadas em missões humanitárias em diferentes países e, na Amazônia, possibilitam que equipes médicas cheguem a comunidades onde o acesso, muitas vezes, depende de horas ou até dias de deslocamento por rios e estradas de difícil trafegabilidade.

A iniciativa tem ampliado o acesso à saúde especializada para moradores de áreas isoladas da região amazônica, reduzindo as dificuldades enfrentadas por quem precisa de atendimento médico e não dispõe de serviços próximos de sua comunidade.


Com informações: oestadonet.com.br
Crédito imagem: reprodução/Facebook 







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Toni Remigio
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