Leonardo DiCaprio critica projeto da maior mina de ouro a céu aberto do Brasil, no Pará
O ator e ativista ambiental questionou os possíveis impactos ambientais do projeto de mineração no Pará e alertou para consequências que, segundo ele, podem ser permanentes.
O ator e ativista ambiental Leonardo DiCaprio voltou a chamar atenção para a situação da Amazônia nesta quarta-feira (23). Em uma publicação nas redes sociais, ele compartilhou um vídeo relacionado a um protesto realizado durante a Semana do Clima de Nova York contra o projeto da mineradora canadense Belo Sun, na região da Volta Grande do Xingu, no Pará.
O empreendimento, conhecido como Projeto Volta Grande, está previsto para o município de Senador José Porfírio e é projetado pela empresa como uma mina de ouro a céu aberto. Segundo a Belo Sun, o projeto tem produção anual estimada em 205 mil onças de ouro, o equivalente a cerca de 6,4 toneladas, durante aproximadamente 17 anos.
Na mensagem compartilhada por DiCaprio, são reproduzidos alertas de cientistas e defensores ambientais sobre os possíveis impactos de um empreendimento dessa dimensão na região. O texto afirma que o projeto poderá provocar “danos irrevogáveis ao ecossistema único da região e às dezenas de comunidades que dependem dele”. A publicação também destaca a mobilização de povos indígenas contra a instalação da mina.
O vídeo foi exibido na terça-feira (22), durante um evento da Semana do Clima de Nova York chamado “A Call to Action for the Amazon: BELO SUN OUT”. A manifestação contou com a participação da liderança indígena Juma Xipaia, que levou ao evento mensagens em defesa do rio Xingu e contra o projeto.
Projeto é alvo de disputa judicial
A manifestação internacional ocorre enquanto o empreendimento enfrenta uma disputa judicial no Brasil. Em setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da licença de instalação da Belo Sun. O processo discute, entre outros pontos, os impactos sobre povos indígenas e comunidades tradicionais e a realização de consultas prévias.
Em abril deste ano, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) havia concedido licença de instalação para o projeto. O Ministério Público Federal e organizações indígenas contestaram a autorização e apontaram questionamentos relacionados ao processo de licenciamento e aos impactos socioambientais.
A Belo Sun, por sua vez, afirma que o Projeto Volta Grande segue o processo de licenciamento ambiental brasileiro e que cumpre as condicionantes estabelecidas pelos órgãos responsáveis. A empresa também declara manter diálogo com comunidades e instituições envolvidas no processo.
O projeto está localizado em uma área do Xingu que já sofreu profundas transformações com a implantação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A discussão sobre os possíveis impactos acumulados de diferentes empreendimentos na região é um dos pontos presentes nas contestações ao projeto.
A manifestação de DiCaprio amplia a repercussão internacional da disputa em torno da mineração na Volta Grande do Xingu, colocando novamente o Pará no centro do debate sobre exploração mineral, proteção ambiental e direitos de comunidades indígenas e tradicionais.
Foto:IG/leonardodicaprio
