Imazon informa: APA Triunfo do Xingu lidera pressão por desmatamento pelo quinto ano consecutivo na Amazônia
Relatório mostra dados do segundo trimestre de 2026, em que o Pará foi o estado com o maior número de áreas protegidas pressionadas e ameaçadas pela derrubada da floresta
A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, foi a unidade de conservação mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no segundo trimestre do ano, entre abril e junho de 2026.
Os indicadores foram
divulgados pelo Instituto do Homem e da Amazônia (Imazon) nesta
quinta-feira, 30.
A unidade de conservação estadual,
localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, ocupa
a primeira posição no período há cinco anos consecutivos.O Pará
também se destacou por concentrar o maior número de áreas
protegidas entre as mais afetadas pelo desmatamento no segundo
trimestre de 2026.
Além da APA Triunfo do Xingu, outras
três unidades localizadas no estado estão entre as mais
pressionadas. Na sequência aparecem o Acre, com três áreas
protegidas, e Mato Grosso, com duas.Os dados fazem parte do relatório
Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, elaborado
pelo Imazon.
O estudo monitora o avanço do desmatamento
sobre unidades de conservação e terras indígenas da Amazônia
Legal, distinguindo os territórios sob ameaça, quando a perda de
floresta ocorre no entorno, dos territórios sob pressão, quando o
desmatamento ocorre dentro de seus limites.
Os resultados
de 2026 já indicavam a APA Triunfo do Xingu entre as áreas
protegidas mais pressionadas desde o início do ano.
“A
permanência de uma área protegida sob pressão constante do
desmatamento impacta diretamente a integridade da floresta, causa a
degradação e a fragmentação florestal contínuas, comprometendo a
resiliência do ecossistema, os serviços ecossistêmicos de
conservação da biodiversidade e a sustentabilidade socioambiental
das populações tradicionais. Esse histórico reforça a urgência
de fortalecer o monitoramento, intensificar a fiscalização e punir
os responsáveis para conter o avanço do desmatamento”, avalia o
pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.
O Pará também
lidera o ranking dos estados com mais territórios ameaçados pelo
desmatamento. Ao todo, cinco áreas protegidas paraenses estão entre
as mais ameaçadas no segundo trimestre de 2026.
Apesar
desse cenário no Pará, foi no Acre que o levantamento identificou a
área protegida mais ameaçada: a Reserva Extrativista (Resex) Chico
Mendes, que enfrenta um histórico de problemas ambientais e, no
segundo trimestre de 2026, também ocupou a segunda posição entre
as áreas protegidas mais pressionadas pelo desmatamento.
A
situação da Resex Chico Mendes exige atenção porque reúne dois
sinais de alerta. Ao mesmo tempo em que o desmatamento já ocorre
dentro da unidade, novas áreas de derrubada avançam em seu entorno.
Isso indica que, se as ações de proteção não forem reforçadas,
a pressão sobre o território tende a aumentar, ampliando os riscos
para a floresta e para as populações locais”, observa a
pesquisadora do Imazon Bianca Santos.
Terras
Indígenas seguem sob risco de avanço do desmatamento
Entre as terras indígenas, a Yanomami, localizada entre o Amazonas e Roraima, e o Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, tiveram mais alertas de desmatamento registrados. Entre as dez terras indígenas mais pressionadas, quatro também apareciam no levantamento anterior, indicando a continuidade das perdas florestais.
Além
de abrigar parte da TI Yanomami, que lidera o ranking das mais
pressionadas pelo desmatamento desde o primeiro trimestre de 2026, o
Amazonas reúne outras três áreas entre as dez mais pressionadas no
segundo trimestre, se consolidando como o estado com o maior número
de TI’s com pressão.
“Quando
uma terra indígena aparece repetidamente entre as mais ameaçadas ou
pressionadas, não é apenas a floresta que está em risco. O avanço
do desmatamento compromete territórios fundamentais para a
manutenção dos modos de vida de populações que vivem neles há
séculos, além de afetar sua segurança alimentar, práticas
culturais e a proteção da biodiversidade”, alerta Bianca.
Já
entre as terras indígenas mais ameaçadas, ou seja, com mais
ocorrências de desmatamento em seu entorno, estão a Baú, no Pará,
e a Araribóia, no Maranhão. Em seguida, aparece a TI
Trincheira/Bacajá, também no Pará, que foi a mais ameaçada em
2025.
O levantamento destaca a persistência desse
cenário: metade das dez terras indígenas mais ameaçadas no período
já havia aparecido no mesmo trimestre do ano passado.
Metodologia
do estudo permite antecipar avanço do desmatamento
Diferentemente
do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que contabiliza o total
de desmatamento nos territórios amazônicos, o relatório Ameaça e
Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas utiliza uma
metodologia específica.
A Amazônia Legal é dividida em
quadrados de 10 por 10 km, chamados de células, e os pesquisadores
identificam quantas dessas células registraram ocorrência de
desmatamento.
A
partir desse mapeamento, é possível apontar quais territórios
estão mais pressionados, aqueles que concentram o maior número de
células de desmatamento dentro de seus limites, e quais estão mais
ameaçados, caracterizados pela maior concentração de desmatamento
em seu entorno, em um raio de até 10 km.
Essa abordagem
permite antecipar o avanço da devastação em áreas protegidas.
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informações: www.imazon.org.br
Crédito
imagem: Valentina Ricardo/Greenpeace, via Imazon
