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Estupro coletivo em Pernambuco: Meninas de 14 anos relatam caso que teria acontecido dentro de sala de aula

Crimes teriam ocorrido em momentos distintos e, de acordo com a advogada, violência teria sido cometida por um grupo de cinco meninos

Matéria assinada por Nathallia Fonseca publicada no portal UOL neste sábado, 08, repercute a denúncia de que duas meninas de 14 anos, estudantes do nono ano do ensino fundamental, denunciaram ter sido vítimas de estupro coletivo cometido por colegas dentro da sala de aula de uma escola municipal no Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana do Recife.


Os crimes teriam ocorrido em momentos distintos, sendo o mais recente na segunda-feira, 03 e, de acordo com a advogada Luanny Porto, que representa as duas vítimas, a violência teria sido cometida por um grupo de cinco meninos, colegas de turma das adolescentes.

“Os dois episódios teriam ocorrido de maneira semelhante: durante o intervalo, enquanto permaneciam na sala para lanchar, as meninas teriam sido trancadas no cômodo e submetidas a agressões físicas e sexuais”, diz o texto.

"Elas levaram rasteira, socos, tiveram a boca fechada para que não gritassem", relata a advogada, acrescenta a matéria. Posteriormente, as estudantes também teriam sido ameaçadas para não procurarem ajuda.

"Ambas relatam que não só elas foram ameaçadas, mas os suspeitos também disseram que matariam membros de sua família caso a história fosse adiante", afirma

O caso foi confirmado pela Polícia Civil de Pernambuco, que investiga a denúncia. De acordo com Luanny, a mãe de uma das meninas procurou a polícia depois de descobrir o que teria acontecido com a filha.

A segunda vítima, encorajada pelo relato da colega, decidiu também denunciar e afirmou ter sofrido o mesmo crime semanas antes.


As duas registraram juntas um boletim de ocorrência na 14ª Delegacia da Mulher, localizada em Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho. Elas foram encaminhadas ao Instituto de Medicina Legal (IML), onde passaram por exames sexológicos.


Uma das meninas teria buscado apoio da escola. Segundo a advogada, a diretora da instituição prometeu oferecer suporte imediatamente, mas não teria procurado a família da vítima.

"Isso causa muita revolta em nós", diz. Ainda segundo ela, a polícia deverá investigar se houve omissão por parte da escola.

O caso só teria sido descoberto pelas famílias dias depois. Uma das vítimas teve uma crise de ansiedade na escola e pediu que a mãe fosse até o local.

Ao chegar, ainda de acordo com a advogada, a mãe foi informada sobre a violência que a filha teria sofrido.


As famílias das duas adolescentes pediram a transferência delas para outras escolas. Por enquanto, as meninas estão afastadas das aulas, aguardando a transferência, e recebem acompanhamento do Conselho Tutelar.

Apesar disso, a advogada afirma que elas ainda convivem com medo por causa das ameaças que teriam sido feitas pelos suspeitos.

A advogada também ressalta que, por serem menores de idade, os suspeitos, caso sejam responsabilizados, estarão sujeitos às medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

"A nossa prioridade agora, acima de tudo, é garantir a proteção e o suporte psicológico para essas meninas", pontua.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos.

Segundo a prefeitura, as medidas cabíveis foram adotadas desde que a instituição tomou conhecimento da denúncia.

"O caso está sendo acompanhado em articulação com o Ministério Público, o Conselho Tutelar e as demais autoridades responsáveis pela investigação", afirmou a secretária.


Casos de violência sexual - o que diz a lei

O crime de estupro está previsto no artigo 213 do Código Penal. A pena inicial varia de seis a dez anos de prisão, podendo chegar a 12 anos em caso de lesão corporal e a 30 anos em caso de morte.

A legislação também prevê punição para a divulgação de cena de estupro, prevista no artigo 218-C do Código Penal, com pena de um a cinco anos de reclusão.


Como denunciar

Em casos de flagrante, a orientação é ligar para 190, da Polícia Militar. Também é possível fazer denúncias pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia em todo o país e no exterior.

O serviço oferece orientação especializada e encaminhamento para serviços de proteção e atendimento psicológico. Também há atendimento pelo WhatsApp (61) 99656-5008.


Vítimas de estupro podem procurar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para receber medicação preventiva contra infecções sexualmente transmissíveis, atendimento psicológico e, nos casos previstos em lei, realizar interrupção legal da gestação.


Não é necessário registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde.

No entanto, o exame de corpo de delito depende do registro policial. Esse exame pode ser realizado posteriormente, mas é recomendado que seja feito o mais próximo possível do momento da violência, para preservar provas.


Com informações: UOL
Crédito imagem: Reprodução/Google Street View








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Toni Remigio
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