Em Santarém, Dia Internacional da Pessoa Idosa é marcado por integração e valorização do protagonismo
Prefeitura Municipal realizou programação especial nesta quinta-feira (1º), no Parque da Cidade
Antônio Cláudio Fiúza passou boa parte da vida com as mãos na terra. Maranhense, chegou ao Pará em 1979 e construiu sua trajetória no campo. Plantou arroz, feijão, milho e mandioca, trabalhou com gado e viveu por mais de 15 anos na comunidade do Garrafão.
Hoje,
morador de São Brás e prestes a completar 71 anos, continua
trabalhando e resume esta fase da vida com duas palavras que parecem
simples, mas carregam décadas de experiências: saúde e amizade.
“Estou
levando a minha vida normal. Estou trabalhando e, além de tudo, o
melhor de tudo, estou feliz”, conta Antônio.
Para
ele, envelhecer não significou se afastar da convivência social. Ao
contrário. Foi no encontro com outras pessoas idosas que encontrou
novos vínculos. “Essas pessoas que eu conheci entraram na minha
vida, eu entrei na vida deles, e não quero nem que eles saiam da
minha vida, nem eu quero sair da vida deles.”
A
experiência de Antônio ajuda a traduzir o significado da
programação realizada nesta quinta-feira, 1º, pela Prefeitura de
Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência
Social (Semtras), no Parque da Cidade, em alusão ao Dia
Internacional da Pessoa Idosa.
A
atividade reuniu participantes das comunidades de São Brás e Mararu
atendidos pelo projeto “Cidadania Ativa: Idosos, Protagonistas em
Ação”, em uma manhã de integração, lazer e promoção do
envelhecimento ativo e saudável.
Durante
a programação, os participantes tiveram atividades físicas, bingo,
orientações sociais, piquenique e momentos de convivência. Mais do
que uma ação comemorativa, a proposta foi criar oportunidades de
socialização, fortalecer vínculos e estimular autonomia, bem-estar
e participação comunitária.
Se
Antônio traz consigo uma história construída principalmente no
campo, Terezinha de Jesus Campos, de 67 anos, moradora do bairro
Mararu, passou quase quatro décadas dentro de uma sala de aula.
Professora aposentada, dedicou 37 anos à Escola Maria de
Jesus Amorim, atuando principalmente com turmas do primeiro e segundo
anos do Ensino Fundamental.
A
aposentadoria encerrou uma etapa profissional, mas abriu espaço para
uma nova forma de convivência.
“Para
mim foi muito bom. Bom demais, porque foi um apoio para mim, depois
que eu saí do meu trabalho, conviver com as outras pessoas no grupo
da terceira idade”, relata.
Terezinha
já participava do grupo de idosos Bem Viver, no Mararu, antes mesmo
de deixar a sala de aula. Hoje, destaca as palestras e oficinas de
artesanato entre suas atividades preferidas.
Para ela, o Projeto Cidadania Ativa abre possibilidades principalmente para idosos que passaram grande parte da vida em suas comunidades e tiveram poucas oportunidades de participar de atividades fora de casa.
“É
uma oportunidade para muitas pessoas que nunca saíram de casa. O
Projeto Cidadania Ativa dá essa ênfase para as pessoas saírem de
casa e se sentirem valorizadas, de participar, de ir naquilo que elas
nunca participaram”, destaca Terezinha.
Além
das atividades de convivência, o projeto realiza oficinas,
atendimento social, orientações e encaminhamentos relacionados a
documentos e direitos, incluindo credencial de estacionamento,
documentação para transporte interestadual e identidade.
A
coordenadora do projeto, Isaura Fernandes, ressalta que a programação
do Dia Internacional da Pessoa Idosa integra esse trabalho
permanente.
“Como
o projeto Cidadania Ativa trabalha voltado ao idoso, não poderia
passar em branco essa data do dia 1º de outubro”, afirma.
Segundo
Isaura, garantir protagonismo também significa acompanhar situações
em que a pessoa idosa enfrenta abandono, desprezo ou fragilização
de vínculos. “A gente dá esse protagonismo para eles, para eles
não se sentirem desvalorizados”, ressalta.
A secretária municipal de Trabalho e Assistência Social, Sílvia Freitas, destaca que a política de assistência social precisa criar condições para que envelhecer seja também sinônimo de participação e pertencimento.
“Celebrar
o Dia Internacional da Pessoa Idosa é, acima de tudo, reconhecer
histórias, experiências e tudo aquilo que essas pessoas representam
para as nossas famílias e para a sociedade. Nosso compromisso,
enquanto gestão, é trabalhar para que os idosos tenham seus
direitos respeitados, sejam acolhidos e tenham oportunidades de
convivência, lazer e participação”, disse Sílvia Freitas.
“O
Cidadania Ativa mostra justamente isso: nossos idosos são
protagonistas, têm muito a compartilhar, aprender e viver. Queremos
fortalecer cada vez mais essas ações e chegar às comunidades,
porque cuidar também significa estar perto, ouvir e valorizar cada
pessoa”, acrescentou.
Entre
atividades físicas, rodadas de bingo, conversas e o piquenique, a
manhã no Parque da Cidade mostrou, na prática, aquilo que Antônio
e Terezinha expressam em suas histórias: envelhecer não significa
deixar de participar.
Para quem passou décadas cultivando a terra ou ensinando crianças dentro de uma sala de aula, há ainda muitas experiências a serem construídas. E, como lembra Antônio, muitas vezes o que faz a diferença é algo essencialmente humano: “Estar entre amigos, ser visto e continuar fazendo parte”.
Cidadania
Ativa
O
Projeto Cidadania Ativa atua há quatro anos e desenvolve ações
destinadas às pessoas idosas das regiões do Planalto e Eixo-Forte.
Atualmente, são 241 idosos registrados e participantes ativos,
distribuídos em cinco grupos: Murumuru, Cachoeira da Cavada, São
Brás, Mararu e Cristo Rei.
Com
informações: www.santarem.pa.gov.br
Crédito imagem: Ascom-PMS
