Em OESTADONET: Nível do rio Tapajós baixa com rapidez e reacende alerta para provável repetição da vazante de 2024
Velocidade da redução das águas registrada neste início de agosto e os cenários climáticos para a Região Norte reforçam a necessidade de acompanhamento permanente ante possíveis efeitos do El Niño
De Santarém
O
que ocorre agora ainda não significa que Santarém esteja diante de
uma repetição da seca histórica de 2024. O nível atual do rio
Tapajós permanece ainda acima das marcas registradas naquele
período.
Mas a velocidade da redução registrada neste
início de agosto e os cenários climáticos para a Região Norte
reforçam a necessidade de acompanhamento permanente.
Nesta
quarta-feira, 12, o rio atingiu 5,75 metros, segundo medição da
Defesa Civil de Santarém, realizada na régua da Agência Nacional
de Águas e Saneamento Básico (ANA), instalada no porto da Companhia
Docas do Pará.
A marca está 76 centímetros abaixo da
registrada no mesmo dia de 2025, mas ainda supera em 1,25 metro o
nível de 2024, ano da grande vazante, e em 23 centímetros o de
2023.
A
velocidade da vazante já é perceptível ao longo deste mês.
No dia 1º de agosto, o Tapajós marcava 6,13 metros. Em apenas 11
dias, foram 38 centímetros de redução.
O cenário é
acompanhado com atenção porque ocorre em um momento em que órgãos
federais reforçam o planejamento para possíveis impactos do El Niño
e de eventos climáticos extremos na Amazônia.
Para
Santarém, o alerta ganha um peso ainda maior por causa do que
aconteceu em 2024.
Naquele ano, a região enfrentou uma
das mais severas estiagens já registradas, com impactos profundos
sobre a navegação, a pesca, o abastecimento e a rotina das
comunidades ribeirinhas.
O Rio Tapajós chegou a atingir
uma marca extrema, de -0,02 metro, em outubro, modificando
completamente a paisagem às margens do município.
A
Agência Nacional de Águas destaca que as salas de situação têm
justamente a função de monitorar situações críticas e subsidiar
medidas antecipadas para reduzir os efeitos de secas e inundações.
O
alerta ganhou força após a terceira reunião da Sala de Situação
sobre o El Niño, coordenada pelo governo federal para atualizar os
cenários climáticos e organizar medidas de preparação para os
próximos meses.
Para a Região Norte, a perspectiva
apontada é de estiagem, enquanto outras áreas do país enfrentam
riscos diferentes, como chuvas intensas no Sul e temperaturas
elevadas no Sudeste e Centro-Oeste.
O
governo federal também vem preparando ações específicas para
populações que podem ficar isoladas durante uma eventual
intensificação da seca.
Entre as medidas estão o
planejamento da Defesa Civil, estratégias de segurança alimentar
para comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, preparação
da área da saúde e antecipação de estoques de combustíveis em
locais onde a redução do nível dos rios possa comprometer a
logística.
O
cenário climático também permanece sob monitoramento. Dados
apresentados por órgãos federais apontam que as temperaturas das
águas do Pacífico seguem acima da média, enquanto especialistas
acompanham a evolução do fenômeno e seus possíveis efeitos sobre
o país.
Em julho, uma reunião técnica do governo
federal apontou expectativa de intensificação do El Niño até
dezembro e aumento do risco de incêndios florestais entre agosto e
outubro, especialmente na Amazônia, no Cerrado e em parte do
Centro-Oeste.
A
seca daquele período também provocou o desaparecimento de lagos e
igarapés na região de várzea e deixou comunidades inteiras em
situação de isolamento.
Em 2024, em alguns locais,
moradores precisaram percorrer longas distâncias em busca de água
potável.
A redução dos canais navegáveis dificultou o
deslocamento de pequenas embarcações e provocou encalhes, enquanto
o transporte de alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais
ficou seriamente comprometido.
Os
efeitos também atingiram atividades econômicas e ambientais. A
pesca foi prejudicada, plantações tradicionais sofreram com a falta
de água e houve registros de mortandade de peixes.
Comunidades
indígenas, quilombolas e ribeirinhas tiveram a rotina profundamente
alterada pela redução dos rios e lagos ( foto acima ).
No
Canal do Jari, um dos pontos turísticos da região, a estiagem
também deixou marcas.
O jardim de vitórias-régias,
conhecido pela beleza da paisagem, desapareceu depois que as plantas
morreram em meio à combinação de pouca água e temperaturas
elevadas.
A perda alterou um dos cenários naturais que
atraíam visitantes para a região.
Com
informações e imagem: www.oestadonet.com.br
