Efeito Lula, dólar registra maior alta semanal desde 2008 e fecha a R$ 5,44
Ibovespa cai 18,12% na semana e tem pior resultado desde 2020
O
mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão,
com disparada do dólar e queda acentuada da bolsa de valores. Ontem,
30, a moeda avançou cerca de 1% e fechou perto de R$ 5,45, enquanto
o Ibovespa recuou 0,75%, aos 167,9 mil pontos.
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Na
semana, o dólar acumulou valorização superior a 9%, a maior desde
a crise financeira de 2008. O principal índice da B3 registrou a
pior queda semanal desde março de 2020, no início da pandemia de
covid-19.
No
plano nacional, o desempenho dos ativos foi marcado pelos ajustes do
mercado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
pelas incertezas sobre a política fiscal brasileira.
No
cenário internacional, a forte queda de ações de empresas
tecnológicas e de inteligência artificial pressionou o dólar e as
bolsas de outros países.
Números
do dia:
Dólar à vista: R$ 5,446 (+1,09%);
Máxima do dólar no dia: R$ 5,463, por volta das 16h;
Ibovespa: 167.921,80 pontos (-0,75%);
Dólar na semana: +9,15%;
Ibovespa na semana: -18,12%;
Dólar em outubro: +5,27%;
Ibovespa em outubro: -9,88%.
Câmbio
O dólar comercial fechou a sexta-feira em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,446, no maior valor de fechamento de 2026. Durante a sessão, a moeda chegou a R$ 5,463, antes de reduzir parte dos ganhos.
Na
semana posterior ao segundo turno das eleições presidenciais, o
dólar acumulou alta de 9,15%, movimento que representa a maior
valorização semanal desde outubro de 2008, durante a crise
financeira internacional.
Em
outubro, a moeda estadunidense avançou 5,27%. Com isso, passou a
acumular valorização de 0,81% no ano.
Parte
da volatilidade registrada na primeira metade do pregão esteve
relacionada à formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo
Banco Central e utilizada como referência para a liquidação de
contratos futuros de câmbio.
A
pressão sobre o real também foi influenciada pela reavaliação das
posições dos investidores após o resultado eleitoral.
A
expectativa pela definição da equipe econômica do próximo governo
e pela apresentação de medidas relacionadas às contas públicas
manteve o mercado atento aos rumos da política fiscal brasileira.
Outro
fator foi a procura por proteção cambial antes do fim de semana
prolongado pelo feriado de Finados, na segunda-feira, 02.
No mercado
internacional, a moeda americana voltou a subir, perante moedas de
países emergentes, num dia marcado por turbulências ligadas a
empresas de tecnologia.
Bolsa
acumula perdas
O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira com queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos. O resultado representou o quinto pregão consecutivo de baixa do principal índice da Bolsa brasileira.
Na semana, o indicador acumulou desvalorização de 18,12%, a maior desde março de 2020, quando havia recuado 18,88% em meio aos impactos iniciais da pandemia de covid-19.
O
desempenho mensal também foi negativo. Em outubro, o Ibovespa caiu
9,88%, o pior resultado desde junho de 2022, quando a perda havia
sido de 11,5%.
A
pressão sobre as ações brasileiras ganhou força após a reeleição
de Lula. No primeiro pregão depois do resultado eleitoral, na
segunda-feira (26), a queda do índice acionou o circuit breaker,
mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de
perdas expressivas.
Ao
longo da semana, a saída de recursos estrangeiros também contribuiu
para a pressão sobre os ativos. Dados da B3 apontaram retirada
líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações
nos três primeiros pregões da semana.
Cenário
externo
Além das incertezas domésticas, o mercado brasileiro acompanhou um ambiente internacional desfavorável, marcado pela cautela dos investidores em relação às empresas de tecnologia dos Estados Unidos e às perspectivas para a inflação e os juros globais.
Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou a sessão com queda de 1,82%, refletindo parte das preocupações relacionadas aos resultados de grandes empresas de tecnologia e aos investimentos em inteligência artificial.
Nesta
sexta, no mercado de câmbio, o índice do dólar, que mede o
desempenho da moeda diante de uma cesta de seis divisas fortes,
registrava alta de 0,01%, aos 101,890 pontos, às 17h31ç.
Com
informações: AB
Crédito ilustração: Reprodução Wikipedia
