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Com a faca nos dentes, “sem grito” e o disse me disse

Dirijo-me ao cordial leitor e a generosa leitora para compartilhar com ambos uma modesta constatação fundada na lógica e na objetividade mais cristalina

Como de hábito, dirijo-me ao cordial leitor e a generosa leitora para compartilhar consigo uma modesta constatação fundada na lógica e na objetividade mais cristalina que a água potável que nos hidrata o corpo no dia a dia da sobrevivência humana de cada um (a). Como diria o outro ou a outra, o famoso “corre diário”.


O fato
Refiro-me sobre a “última” ou penúltima, sei lá, do senhor governador eleito, Daniel Santos, o “Dr. Daniel”. Eis que no crepúsculo do outubro histórico para a sua biografia estadual, ele publica – no próprio instagram –, um print ou algo que o valha metendo o bicho, digo, esculachando um promotor de justiça.

Registre-se que, dado o mau modo ter vindo da autoridade de quem se trata, dois ou três traços se apresentam de chofre, como diria o Denis Cavalcante: primeiro, o agravante do “contra quem”, dado que o conteúdo (fora o alvo) da ofensa, vez que não comprovado, pode ser enquadrado como “calúnia” nos crimes contra a honra, por insinuar conduta criminosa, afinal o adjetivo usado foi “bandido”.

Ou seja: falar que um membro da instituição pública referendada pela Constituição Federal do País como a fiscal da lei, o Ministério Público, é bandido, insinuando logo após que houve um delito na área ou “máfia dos guinchos”, foi um soco no estômago, além da acusação mega grave.


Detalhe: O fato ocorreu e está aí para quem quiser saber. Permito-me nem citar o nome do acusado. Estas mal traçadas se justificam pela nossa preocupação com o porvir.


A constatação primeira: para além do adjetivo utilizado, e de quem se trata o agravado, nem na largada foi. O homem sequer foi diplomado. Se agora, já se comporta assim, o que esperar do que será capaz quando de posse da caneta até o talo de tinta na alvorada de janeiro?


Diante aqui do tico e do teco, meus dois neurônios, que fique bem claro, valho-me, buscando a concisão e mudança de assunto, do silogismo de que: se ele mete o bicho dessa maneira num promotor, imagine o que pode ser capaz de fazer contra um Antonio como eu, um José, qual meu bom vizinho ou a Maria, prima mais querida da esposa do seu cunhado.

Enfim, todos pessoas comuns, quiçá cidadãos e cidadãs diante do caos e ódio no meio do qual nos deparamos. Uma sociedade doente e um governador eleito irascível. Grave é pouco. Preocupante. E muito.

Cumpre lembrar que o doutor disse após o triunfo do último 04/10, que iria governar para todos. Donde se conclui que, falou ali o “governador de todos os paraenses”. – Será, argui o tico pro teco?

Acrescente-se que, duas semanas atrás, ele partiu pra cima do prefeito de Tucuruí e incluiu na classificação o senador Helder Barbalho.  


Detalhe sórdido: no insta, o doutor printou o que seria um “de acordo” do promotor nos ditames do jurídico dos autos de (mais) um processo, digamos assim, sobre o pedido de autorização ao judiciário estadual para uma ida ao exterior. 


Aqui pra nós, está tudo muito estranho, maluco, absurdo, mas, convenhamos, um governador de estado impedido de viajar pro exterior é de lascar. Uma vergonha. Um vexame. 


Vendetta
Pelo pouco que nada sei praticamente sobre a vida do eleito, parece-me a que deputada sua esposa, Dra. Alessandra, é religiosa. Se sim (ou não), governador, pense bem, pra que tanto ódio nesse coração? 


O senhor chegou lá. Parabéns. Já ouviu falar de Winston S. Churchill? Caso afirmativo, na vitória, ele ensinou a magnanimidade. Pense nisso. Falo dos nossos concidadãos, os cabocos daqui como a gente. Refiro-me ao imperativo da busca pela paz social. 


Somente o ódio justifica a porrada pública. Agora é liturgia. Não se trata de vasculhar seus problemas na justiça, nada contra aos que têm vida pública, mas, o senhor nos deu o lead.

Caramba!, o governador eleito chama um promotor de bandido e dá, de bandeja, o que estava por trás oficialmente, o tal pedido pra viajar e, na escuridão, mais uma onda errada, desta vez relativa a guinchos e envolvendo um membro do MP. Que viagem!

Não comentar, opinar, analisar, nesta profissão, seria omissão. No mínimo. 


As faturas
Ao jovem e incauto leitor que nos honra com a curiosidade da leitura, vez que ocorra, o tema agora pode envolver, talvez, vá lá que seja… um dos motivos do humor alterado de sua excelência o governador eleito: custos de uma campanha ao governo de um estado “gigante” como o Pará.


Uma das obviedades da candidatura do doutor com o apoio fundamental, capital do PL-PA, foi por ele ser capaz de bancar seus custos. 
Óbvio como a necessidade do oxigênio pra nos manter vivos. 


Avião pra cá, avião pra lá, pilotos, equipes, materiais, gasolina, cafézinho, água, copos plásticos, profissionais, etc. Etc. Etc… Milhões e milhões, muitos e muitos.


Vivinhos da silva são os financiadores, fornecedores, contratados e lobistas do poder público que gravitam em torno dos que assinam as ordens de serviços, a celebração de contratos, etc. e tal… os famosos “ordenadores de despesas”.

Detalhe fundamental: Aqui, em Marapanim, no Rio Grande do Sul e em Brasília. Sim, evidente, e na “Faria Lima”. Cada qual a sua maneira e nível econômico e social.


Aquele Brasil velho de guerra, famoso Bananão, que tem dentro de si a sua porção Bélgica e a maioria qual uma Índia e seus indicadores do passado, quando do “batismo” por Edmar Bacha: a mistura que deu em Belíndia…  


O disse me disse
A única trégua, se trégua houve, nas tratativas de bastidores sobre os números da economia estadual e a jurisdição pelo seu poder executivo constituído, foi no Círio de Nazaré, oportunidade na qual o doutor esteve em Belém. 


Para além das delimitações dos seus potentados, entre Ananindeua, Dom Eliseu, Viseu, Açailândia, litoral cearense e alhures, nessa altura do campeonato, só se fala nisso:


A g
ula
Acertos, promessas, dívidas que se quitam, outras nem tanto, cascas de banana pelo caminho, jogo de empurra, Centrão local acuado após vitória de Lula, as questões judiciárias, os fantasmas por trás de segredos e artimanhas inconfessáveis, e, last but not least, o tamanho da cobrança do PL-PA.


Éder Mauro, filho, nora, sobrinha, afilhado; Joaquim Passarinho (presidente estadual) e político respeitado, Delegado Kaveira e seus mais de 400 mil votos e, de Marabá, o popular prefeito Toni Cunha, cuja esposa foi eleita deputada e também é da bancada do partido. Que tem o representante do Tapajós, JK do Povão.    


Eles que são Bolsonaro raiz, agregados ou recém-aliados, que se virem. Aqui não se especula quem vai para onde. Espera-se a confirmação oficial ou o Diário Oficial, no que se refere aos nomeados. Porque quando se fala em contratos e contratados, neste mundo não se pode falar em “solução de continuidade”, tendo pra todo gosto e a cada dia.


“Sem grito”
Quem assistiu a famosa e premiada série do supermercado Formosa jamais se esqueceu dele e do ator que a estrelava ou, como se diz hoje em dia, “os entendedores entenderão”...

 
Este projeto-site deu a largada em julho de 2023. Naquele momento e Brasil, início do segundo semestre do primeiro ano do Lula 3, escrevia aos domingos e quartas, invariavelmente, vez que aqui e ali passei a receber denúncias factuais publicadas a qualquer dia e hora ou um acontecimento excepcional que me despertasse a necessidade de comentá-lo.

Nessa pegada, fomos de 07/23 a 09/24 quando uma menina de ouro, estudante de jornalismo da UFPA, a Roberta, veio me ajudar a torná-lo diário. Final daquele mês, pedi pro desenvolvedor as estatísticas de visitação e elas eram irrefutáveis: na ilustração do software, seus números e gráficos, as publicações diárias do site em setembro que eram compartilhadas modesta e rudimentarmente nos nossos
Facebook, Instagram, YouTube e, “once a week”, pelo Whatsapp, mostravam duas torres gigantes comparadas aos meses anteriores. Um aumento muito grande da audiência, confirmando a desconfiança de que vocês, leitores e leitoras, queriam mais.

Pouco mais de dois anos depois daquele setembro de 2024, do mestrado da Roberta, da cobertura e apoio fundamentais do Peixoto, da retaguarda do Guto, das dicas do Igor Ricardo, da chegada da Amanda e, fundamental, capital e existencialmente falando, a simpatia, empatia, generosidade de cada leitor ou leitora do www.oamazonico.com.br, faz deste escriba um eterno devedor e um profissional certo de que, graças a vocês, a gente tem um horizonte que nos motiva mesmo diante de todas as limitações que se impõem. 


Agradeço a Deus pela misericórdia que nos acolhe, a saúde física e mental minha e dos meus, agradeço todo dia. 


Sou grato e devedor de vocês. E prometo compartilhar esses números que alcançamos diária e mensalmente até aqui. De onde viemos e onde estamos.  


Rogo estar à altura do rigor crítico de cada um, e que todo dia novas generosas leitoras e tantos outros cordiais leitores, todos de cabeças boas, que curtam o debate e a dialética, se juntem a nós.

Aqui é fé, “corre” e gratidão, amém! “Sem grito”.




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Toni Remigio
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