Bets: Conhecido nas redes sociais como "advogado ostentação", Nelson Wilians é alvo novamente de operação da PF
Investigação apura suposto esquema envolvendo apostas esportivas, empresas no Brasil e no exterior, operações de câmbio e ativos digitais
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 13, a Operação Arena, que investiga um grupo empresarial suspeito de utilizar uma estrutura societária e financeira no Brasil e no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos relacionados à exploração de jogos de azar e apostas esportivas.
Entre
os alvos da operação está o advogado Nelson Wilians, que é alvo
de um mandado de busca e apreensão em sua residência. A medida foi
autorizada pela 4ª Vara Federal da Paraíba.
A operação
mira suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas, lavagem de
dinheiro e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Ao
todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em 14
endereços nos estados da Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de
Janeiro e Paraná.
A Justiça também determinou o
sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
Segundo
a investigação, o principal alvo da operação é a empresa PixBet,
antiga patrocinadora de times de futebol como Flamengo e Vasco. Um
ponto crítico é uma transferência suspeita envolvendo a PixStar,
empresa fantasma com sede na ilha de Curação, no Caribe.
A
Polícia Federal identificou pagamentos entre as duas companhias.
Além disso, conforme apurado pela CNN, Nelson Wilians consta como
advogado da PixBet em uma ação na Justiça Federal da Paraíba.
Wilians
já foi alvo de outras investigações. Em julho deste ano, a Polícia
Federal deflagrou uma operação para apurar um esquema envolvendo a
comercialização de créditos de ICMS supostamente fraudulentos.
Na ocasião, a defesa do advogado negou
irregularidades.Como funcionaria o fluxo financeiro investigado
Um
dos principais elementos da investigação é um fluxograma elaborado
pela Receita Federal que mostra as diferentes rotas que os recursos
das apostas poderiam percorrer.
A
representação considera operações realizadas antes da concessão
das autorizações para exploração de apostas de quota fixa em
2025.
Segundo a Receita, o grupo teria utilizado
instituições de pagamento, empresas nacionais e estrangeiras,
operações de câmbio e ativos digitais para movimentar os valores.
A suspeita é de que a estrutura tenha sido utilizada
para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos
e dos chamados beneficiários finais.
Apostas
passam por instituições de pagamento: o fluxo começaria com os
apostadores, que realizariam depósitos e saques por meio de
instituições de pagamento.
Segundo a Receita, essas
instituições também fariam a confirmação dos depósitos e saques
necessários para a disponibilização e manutenção dos valores nas
plataformas de apostas. A partir daí, os recursos poderiam seguir
por diferentes caminhos.
Parte
dos recursos seria destinada a fornecedores nacionais: uma das rotas
identificadas pela investigação envolveria o pagamento de despesas
de terceiros por meio de fornecedores nacionais das empresas de
apostas.
Nesse caminho, os recursos sairiam das
instituições de pagamento e seriam direcionados a empresas que
prestariam serviços ou forneceriam produtos às plataformas.
Para
os investigadores, a existência de diferentes empresas e operações
financeiras dificultaria a identificação da origem e do destino
final dos valores.
Recursos
seriam convertidos em criptomoedas: outra rota apontada no fluxograma
envolve a compra de stablecoins, criptomoedas com valor vinculado a
uma moeda de referência, como o dólar.
De acordo com a
representação da Receita, uma exchange nacional seria utilizada
para a compra de USDT.
Depois, os ativos digitais seriam enviados
para contas ou estabelecimentos controlados pelos chamados “reais
beneficiários” — pessoas apontadas como as destinatárias
efetivas dos recursos.
A utilização de ativos digitais aparece,
portanto, como uma das etapas investigadas na movimentação
financeira.
Dinheiro
também teria sido enviado para o exterior: uma quarta possibilidade
apresentada pela Receita envolve operações simultâneas de câmbio
e o envio de recursos para contas mantidas no exterior.
Segundo
a investigação, parte desses valores teria sido direcionada a
contas localizadas em países ou territórios classificados como
paraísos fiscais.
Os investigadores suspeitam que
empresas constituídas no exterior tenham sido utilizadas para
justificar remessas de valores elevados, apesar de, em tese, não
apresentarem atividades econômicas compatíveis com o volume de
recursos movimentados.
Empresas
do próprio grupo também receberiam recursos: outra etapa do fluxo
envolveria o envio de dinheiro para empresas integrantes do próprio
grupo empresarial.
De acordo com o esquema representado
pela Receita, esses recursos poderiam posteriormente retornar aos
beneficiários por meio do pagamento de dividendos.
A
investigação apura se essas estruturas empresariais teriam sido
utilizadas para dar aparência de regularidade às operações e
dificultar a identificação de quem efetivamente controlava ou
recebia os valores.
Recursos
chegariam aos beneficiários finais: no fim das diferentes rotas, os
valores chegariam aos chamados “reais beneficiários”.
Segundo
o fluxograma da Receita, os recursos poderiam ser utilizados, entre
outras finalidades, para a aquisição de bens de luxo e para o
pagamento relacionado à obtenção de autorização para atuação
no setor de apostas.
É justamente a identificação dos
beneficiários finais e da origem e destino dos recursos que está
entre os pontos centrais da investigação.
Estrutura
no exterior
Além do caminho percorrido pelo dinheiro, a
investigação apura a forma como o grupo estaria organizado.
Segundo
a Receita Federal, empresas constituídas no exterior teriam sido
utilizadas para sustentar a aparência de que as atividades eram
conduzidas fora do Brasil.
Os elementos reunidos, porém,
indicariam, em tese, que a gestão operacional, administrativa e
decisória ocorreria em território brasileiro.
A
suspeita é de que essa estrutura tenha sido usada para reduzir a
visibilidade sobre as operações realizadas no país, além de
dificultar a identificação dos responsáveis e dos beneficiários
dos recursos.
A
investigação também aponta possíveis omissões de rendimentos e
utilização de estruturas empresariais para reduzir ou evitar
irregularmente a tributação incidente sobre as atividades.
O
que a operação investiga
A Operação Arena apura,
principalmente, suspeitas de:
Sonegação
fiscal, relacionada à possível omissão de rendimentos e ao não
pagamento de tributos devidos;
Evasão
de divisas, diante da suspeita de envio ou manutenção irregular de
recursos no exterior;
Lavagem
de dinheiro, pela possível utilização de estruturas empresariais e
financeiras para ocultar ou dissimular a origem e o destino dos
valores;
Crimes
contra o Sistema Financeiro Nacional, conforme apontado pela Polícia
Federal.
Os
investigados poderão responder pelos crimes que forem eventualmente
comprovados, de acordo com a participação individual de cada um.
A
operação ocorre em cinco estados: Paraíba, Sergipe, São Paulo,
Rio de Janeiro e Paraná.
Entre as cidades onde são
cumpridas as medidas estão João Pessoa, Campina Grande, Serra
Branca, Aracaju, São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói e Curitiba.
A
Polícia Federal e a Receita Federal não afirmam, nesta fase, que
todos os valores movimentados pelo grupo sejam provenientes de
atividades ilícitas.
O objetivo da operação é reunir
elementos para esclarecer a origem dos recursos, a forma como foram
movimentados e quem seriam seus beneficiários efetivos.
Outro
lado
Em nota à imprensa, Santiago Schunck, advogado do
NWADV, afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é
“estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços
de advocacia.
"A relação entre o escritório e a
PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de
serviços de advocacia. A atuação do escritório em favor de seus
clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se
confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O
escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação
profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas
a seus clientes. É preciso ter cautela para que o legítimo
exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em
razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado
representa", disse.
Com
informações: CNN
Crédito imagem: Reprodução redes sociais
