Advogados de Vorcaro acionam órgão internacional contra prisão preventiva
Advogados do fundador do Banco Master alegam violações de direitos humanos e pedem que a Comissão Interamericana cobre explicações do governo brasileiro sobre a prisão preventiva.
A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, acionou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), para contestar a prisão preventiva do empresário e pedir sua liberdade. A iniciativa foi divulgada nesta segunda-feira (2).
Na petição, os advogados solicitam que o Estado brasileiro seja responsabilizado internacionalmente por supostas violações de direitos humanos durante as investigações e o período de detenção do ex-banqueiro.
Entre os argumentos apresentados está a demora na análise do pedido de liberdade protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) em 18 de setembro. Segundo a defesa, o requerimento permanece sem decisão há mais de 40 dias. Os advogados também questionam a ausência de revisão periódica da prisão preventiva, prevista na legislação brasileira.
Outro ponto levantado envolve o vazamento de informações extraídas do celular de Vorcaro. A defesa afirma que conversas particulares, inclusive comunicações entre o empresário e seus advogados, foram utilizadas nas investigações e divulgadas indevidamente. Também são apontadas possíveis irregularidades na preservação das provas digitais.
Os representantes do empresário pedem que a comissão solicite ao Brasil o restabelecimento da liberdade de Vorcaro, mediante medidas cautelares, ou que um juiz competente analise o pedido de soltura em até cinco dias. A petição também solicita a interrupção dos vazamentos e o acesso aos dados originais extraídos do aparelho celular.
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março de 2026, por determinação judicial. Na semana passada, a Polícia Federal concluiu uma etapa das investigações da Operação Compliance Zero e indiciou o empresário por suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional. A defesa considera o relatório prematuro e nega as acusações.
Entenda o papel da comissão
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é um órgão da OEA responsável por promover e proteger os direitos humanos nos países das Américas. A entidade pode analisar denúncias, solicitar informações aos governos e recomendar providências diante de possíveis violações.
No entanto, a CIDH não tem poder para determinar diretamente a soltura de pessoas presas no Brasil. O acionamento do organismo representa uma tentativa da defesa de levar as alegações ao âmbito internacional, enquanto o pedido de liberdade segue pendente de análise na Justiça brasileira.
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